Advogados são barrados em presídio
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segunda-feira, 23 de outubro de 2000
Maranúbia Barbosa De Londrina 
Representantes do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina estiveram ontem na Penintenciária Estadual de Londrina (PEL) para averiguar denúncia de espancamento em dois presos. De acordo com os representantes do CDH, os presos Alexandre Gonçalves de Souza, 25 anos e Wilson da Silva teriam sido espancados no final de semana. O diretor interino da PEL Manoel Gonçalves não permitiu a entrada dos advogados e nem da imprensa na PEL. Gonçalves disse aos advogados que a visita aos presos só será permitida com autorização.
O advogado Jorge Custódio Ferreira, do CDH, informou que a denúncia partiu de Josefina Souza, mãe do preso Alexandre, condenado por furto. Josefina disse que não visitou o filho no domingo porque telefonaram da PEL, na sexta-feira informando que a visita estava suspensa. Ela achou que a suspenção fosse um procedimento normal, mas recebeu um telefonema anônimo no domingo relatando que tinha gente passando mal. Ainda conforme Josefina, o espancamento teria acontecido depois de uma operação pente fino, realizada para detectar armas e planos de fuga no presídio. Ontem à tarde Josefina esteve na PEL falando com a direção, que negou qualquer anormalidade e não autorizou a visita.
O advogado do CDH estranhou o procedimento da direção da PEL. Ferreira comentou que a proibição de entrada dos representantes do CDH, até então não era usual. Gelson Gil, da Comissão Carcerária do CDH comentou que a decisão da PEL aumenta a suspeita de irregularidade. Se não há nenhuma problema, por que barrar nossa visita?, indagou. O CDH vai encaminhar pedido de entrada oficial ao juiz corregedor de presídios Roberto do Valle.
Segundo os representantes do CDH essa não é a primeira denúncia de tortura na PEL. No dia três de agosto, o CDH apurou espancamento nos presos Izaías Cordeiro da Silva e Cláudio Soares da Cunha, que teriam apanhado depois de uma discussão.


