Os advogados da Rede Autônoma dos Advogados Populares do Paraná entram nos próximos dias com representação pública, pedindo a instauração de inquérito administrativo para apurar a denúncia de fraude no laudo que considerou produtiva a Fazenda Cachoeira, em Sapopema (132 km ao sul de Cornélio Procópio). De acordo com o advogado Josinaldo da Silva Veiga, foram realizadas três vistorias, sendo que duas avaliações consideraram a área improdutiva.
‘‘Conseguimos comprovar que o laudo de produtividade, realizado logo após a ocupação da área em setembro do ano passado, foi feito com base em notas fiscais fraudadas, que mostram somente a entrada de gado na propriedade e não a saída’’, acusou. Outros dois laudos, feitos em seguida, demonstraram o contrário. Veiga afirmou que a superintendência do Incra solicitou reabertura do inquérito, mas não prosseguiu com as investigações.
Mesmo com os dois laudos considerando a área improdutiva, Josinaldo Veiga disse que a Justiça da comarca de Curiúva concedeu a reintegração de posse ao fazendeiro Osvaldo de Almeida Rocha. ‘‘Vamos denunciar que este laudo foi fraudado e que isso ocorreu dentro do Incra. O próprio proprietário das terras não soube informar ao órgão por que só entrava gado na fazenda’’, ressaltou.
O superintendente do Incra no Paraná, Petrus Abi-Abib, informou ontem que o órgão está realizando uma análise do processo que considerou a fazenda produtiva. ‘‘Recebemos denúncia neste sentido. Estamos adotando medidas comedidas evitando incriminar este ou aquele sem provas. O MST apresentou inícios de que o trabalho pode ter outras interpretações, mas eu não caracterizo como fraude’’, afirmou o presidente regional do Incra.
Ele acredita que nos próximos 15 dias o Incra terá um posicionamento conclusivo sobre o processo. O proprietário da Fazenda Cachoeira, Osvaldo de Almeida Rocha, já apresentou explicações solicitada pelo órgão para uma melhor análise do processo.

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