Advogados consultados ontem pela Folha lamentaram o ‘‘mal-estar’’ entre juízes e promotores de Campo Mourão. A ‘‘crise de relacionamento’’, admitida pelos dois setores, chegou ao clímax na semana passada, quando o Ministério Público apresentou uma ação civil pública pedindo a demissão de dois juízes tidos pelos promotores da comarca como responsáveis pela manutenção de uma funcionária fantasma no Fórum da comarca.
O presidente da OAB de Campo Mourão, Pedro Carlos Palma, disse que o MP está correto em investigar uma denúncia de irregularidade, mas que isso não deveria criar animosidades pessoais. ‘‘Estamos vendo rixas pessoais crescendo no Fórum’’, ressaltou Palma. Segundo ele, o clima no órgão anda ‘‘pesado’’. ‘‘A OAB sente a necessidade de que seja dado um ponto final nessa situação, que prejudica o andamento da Justiça’’, frisou.
‘‘O desentendimento é prejudicial ao povo que busca a Justiça’’, disse o advogado e vereador José Luiz Gurgel (PMDB). Ele afirmou que desconhece a causa da crise de relacionamento entre juízes e promotores, mas ressaltou que já havia uma propensão para que isso ocorresse há algum tempo. ‘‘Quem administrava bem essa situação era o promotor Rubens Luiz Sartori, mas ele se aposentou e a crise estourou’’, disse Gurgel.
O advogado e promotor aposentado Irineu Brzezinski disse que um desentendimento entre juízes e promotores ‘‘não fica bem’’. ‘‘Que exemplo vai ser dado à comunidade?’’, questionou. ‘‘A população pode pensar que, se juízes e promotores brigam no Fórum, ela também poderá brigar na rua’’. Apesar de condenar o ‘‘mal-estar’’, Brzezinski não acredita que essa crise interfira no trabalho da Justiça. ‘‘Todos são profissionais responsáveis e, além disso, sempre existe uma instância superior para rever uma decisão’’, disse.
A briga entre juízes e promotores já fez com que o MP criasse um escritório separado do Fórum. Contidos, os juízes não gostam de falar do assunto e evitam dar entrevistas. Já os promotores negam culpa na situação. ‘‘Se existe um mal-estar entre juízes e promotores, não é por causa do Ministério Público’’, afirmou o promotor Guilherme de Albuquerque Maranhão Sobrinho.

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