Os advogados dos outros cinco acusados do caso Evandro estudam a possibilidade de entrar com um pedido de habeas-corpus requerendo a suspensão dos dois próximos julgamentos, marcados para acontecer nos dias 18 de maio e 22 de junho. Segundo o advogado Antonio Augusto Figueiredo Basto, a absolvição de Celina e Beatriz Abagge por dúvidas quanto à materialidade do crime serve de argumento para que o processo dos outros acusados seja trancado por justa causa. ‘‘Se ficou concluído que o corpo não é de Evandro Ramos Caetano, não há como continuar julgando este processo’’, disse. Até o final da tarde de ontem, o promotor Celso Ribas ainda não havia entrado com o pedido da anulação da sentença no Tribunal de Justiça.
Albari RosaCarlos de Oliveira: ‘‘Acho que ninguém nunca vai ter certeza sobre o que aconteceu com aquele menino’’
Um dos acusados, o comerciante Sérgio Cristofolini, diz que tem certeza que seu julgamento, marcado para dia 22 de junho, será cancelado. Cumprindo prisão domiciliar em Guaratuba, ele chorou ao saber da notícia sobre a absolvição de Celina e Beatriz Abagge.
Muitos moradores de Guaratuba evitam comentar o assunto e chegam a colocar em dúvida o resultado do julgamento. ‘‘A Justiça disse que elas são inocentes, mas a gente sempre vai ficar sem saber o que aconteceu na verdade’’, disse o comerciante Wladimir da Silva. O guardião da antiga Madeireira Abagge, Carlos Wenceslau de Oliveira, afirma que sempre teve boa relação com a família de Celina, mas também disse que prefere não arriscar nenhum palpite. ‘‘Acho que ninguém nunca vai ter certeza sobre o que aconteceu com aquele menino, nem qual foi a participação delas’’, afirmou.
Mesmo depois do veredito, são poucas as pessoas que aceitam dar entrevista sobre o Caso Evandro. Alguns dizem temer represálias, tanto da família Abagge quanto da família Caetano. Muitos ainda parecem guardar mágoas e consideram difícil que a população ‘‘permita’’ que Celina e Beatriz voltem a morar em Guaratuba. ‘‘Se elas voltarem aqui, com certeza vai haver muita confusão’’, disse um morador que não quis se identificar.
Um dos principais personagens do caso, Diógenes Caetano Filho, primo do garoto Evandro e primeira pessoa a ligar o crime a um ritual de magia negra encomendado por Celina e Beatriz, não foi encontrado ontem em Guaratuba. Os advogados das rés dizem que pretendem processá-lo por ter denunciado falsamente as rés. Segundo uma funcionária da panificadora de Diógenes, ele viajou com a família para Agudos do Sul na manhã de domingo e não disse quando deverá retornar.‘‘Se ficou concluído que o corpo não é de Evandro Caetano,
não há como continuar julgando este processo’’, diz Basto

Albari RosaCristofolini, um dos acusados, diz ter certeza de que seu julgamento, marcado para 22 de junho, será canceladoMuitos moradores de
Guaratuba colocam
em dúvida o resultado
do julgamento

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