Advogados cobram na Justiça indenização de R$ 6,48 milhões
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de outubro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Cinco advogados que trabalham na Prefeitura de Cascavel devem formalizar na semana que vem uma ação indenizatória de R$ 6,48 milhões - equivalentes a 54 mil salários mínimos -, por dano moral que teria sido causado pelo procurador jurídico do Município, Gilberto Nalom Gonzaga. Segundo os termos da ação, no final de setembro o procurador fez declarações à imprensa acusando os advogados de faltarem com a ética, não quererem trabalhar e mostrarem pouca produtividade.
Os reclamantes são Idione Terezinha Pizzato, Jaime Mariano, José Vicente Gutierrez, Marcelo Renê Reinhardt e Sirlei do Rocio Berno, que ingressaram no serviço público mediante concurso. Na ação judicial, eles são representados pelos advogados Gilceo Klein e Hélio Jost. Em resumo e objetivamente, o procurador os chamou de vagabundos e incompetentes, disse Klein.
Tudo começou com uma portaria de Gilberto Nalom Gonzaga, estabelecendo aos advogados jornada de trabalho de oito horas diárias e obrigatoriedade de preenchimento de cartão ponto. Como o Estatuto da Ordem dos Advogados (OAB) fixa a jornada em quatro horas, os cinco profissionais se rebelaram contra a determinação, contestando-a através de frases nos cartões ponto. A atitude gerou críticas do procurador.
Os advogados recorreram na Justiça para garantir a jornada de quatro horas, obtendo liminar do juiz Paulo Roberto Hapner, da 2ª Vara Cível, que ainda julgará o mérito da ação. Agora eles querem a indenização por dano moral, no valor individual de R$ 1,296 milhão. Advogados e procurador não comentam o assunto.


