O advogado André Luiz Salvador entrou ontem com pedido de revogação das prisões preventivas dos policiais civis Wilson de Oliveira e Israel Henrique de Lima, suspeitos de concussão (extorsão praticada por funcionários públicos) e detidos no 4º Distrito Policial (DP) desde a semana passada. Uma investigação da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) apontou que os dois teriam exigido R$ 700,00 de um microempresário da cidade para devolverem equipamentos que teriam sido apreendidos no final de dezembro.
O juiz da 1 Vara Criminal irá requisitar parecer do Ministério Público (MP) sobre o pedido. O promotor receberá prazo de cinco dias para dar uma resposta, após a qual a revogação será concedida ou não. Salvador acredita que o pedido será atendido porque ''os dois são réus primários, possuem residência fixa e se apresentaram espontaneamente à PIC''.
Na quinta-feira da semana passada, os dois policiais foram seguidos por veículos da PIC após supostamente terem se encontrado com o microempresário identificado como Adilson para acertar o pagamento da extorsão. Eles conseguiram fugir, numa perseguição cinematográfica, e quando se apresentaram deram a justificativa de que não sabiam que era uma equipe da Promotoria (que pretendia prendê-los em flagrante) que os estava seguindo, e por isso não teriam parado. A tese foi refutada pelos policiais da PIC, que alegaram que os carros que utilizavam estavam com as sirenes ligadas.
Os próprios policiais suspeitos estavam num veículo da 10 Subdivisão Policial (SDP). Em seu depoimento, os dois alegaram que o microempresário teria tentado suborná-los, já que os objetos apreendidos tinham origem suspeita (poderiam ser furtados), e que quando o veículo da Promotoria os abordou eles estavam se dirigindo à 10 SDP para tomar providências.
No pedido de revogação, Salvador anexou um relatório do plantão do dia da perseguição, que apontaria que os policiais realmente teriam chamado reforço por rádio porque se sentiram ameaçados e não sabiam que o veículo que os seguia era da PIC. ''O pessoal da Promotoria também não os avisou via rádio, o que poderia ter sido feito'', disse o advogado.
Ontem pela manhã, foi detido Nilton Fontoura de Lima, que teria sido apontado por uma testemunha como o verdadeiro proprietário do estabelecimento que teria sido submetido à extorsão. Segundo o delegado-adjunto da 10 SDP, Jorge Barbosa, o detido tinha contra si um mandado de prisão expedido pela 4 Vara Criminal, num processo de acusação por crime de furto.
''Ele foi realmente citado como o dono do estabelecimento que teria sofrido a extorsão, mas não obtivemos ainda nenhum documento que comprove essa posse. Ele será ouvido amanhã (hoje), para que seja esclarecida essa questão'', afirmou o delegado. Segundo informações, na casa de Lima também foram encontrados vários cheques, cuja procedência será investigada.

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