Advogado tenta impedir demolição de quiosque
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terça-feira, 20 de julho de 2010
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Depois de quase três horas de discussão entre representantes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e o advogado dos comerciantes que ocupavam o quiosque onde funcionava a Banca Avenida, na Rua Minas Gerais, em frente ao Bradesco, no Calçadão de Londrina, Área Central, o imóvel foi demolido no final da manhã de ontem.
No início do dia, agentes da CMTU e pelo menos 15 guardas municipais isolaram o local, impedindo o acesso de clientes, pedestres e da imprensa. A presença de tanta segurança chamou a atenção dos transeuntes, que paravam para acompanhar a movimentação.
O advogado que defende o proprietário da banca, Gerson da Silva, tentou impedir a demolição, exigindo a apresentação de uma ordem judicial para execução do serviço. ''A prefeitura pode lacrar, impedir o funcionamento, mas não pode desmontar o quiosque sem ordem judicial.''
O documento, assinado pelo presidente da CMTU, André Nadai, chegou por volta das 10h30, quando começou o desmonte. ''Com a ordem, teremos a quem responsabilizar em um processo judicial'', justificou Silva, que defende outros dois comerciantes que obtiveram liminar para continuar as atividades.
Durante o impasse sobre a legalidade ou não da demolição, o advogado acusou um dos guardas municipais de tê-lo ameaçado de prisão. ''Estou no local exercendo a defesa do meu cliente. Para um advogado ser preso, é preciso apontar o crime e ter a presença da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)'', defendeu-se.
Desconsolado com a desocupação da banca, o comerciante Carlos Fernandes, que trabalhava há 15 anos no local, ainda não tem planos sobre um novo ponto para continuar o negócio. ''Em qualquer lugar do mundo as bancas ficam na rua. Se for para um shopping ou uma galeria, acabo limitando o acesso ao lazer, à cultura'', criticou.
Ele também não espera conseguir voltar ao mesmo ponto após a licitação que selecionará os comerciantes que ocuparão os novos quiosques, depois da revitalização do Calçadão. ''Vou até participar, mas não tenho chances.''
Prejuízo
Representante em Londrina de um grupo editorial paulista, Alciomar Lima, que acompanhava a desocupação da banca para resgatar produtos consignados, afirmou que já houve 40% de redução nas vendas depois que a prefeitura começou a desocupar os quiosques. ''A própria distribuidora diminuiu as vendas temendo a inadimplência'', afirmou.
Indignado com a demolição do quiosque, o motoboy Reginaldo Ferrantes Alves lamentou a falta de um local para comprar revistas, cartões telefônicos e recarga de celular. ''Sempre passava aqui porque é perto dos bancos onde faço serviços. Se tiver que entrar numa sala, não vou comprar porque não dá tempo'', explicou.
Para ele, a presença de tantos guardas municipais no local surpreendeu. ''É triste mobilizar tanta segurança para deixar uma família desempregada'', criticou. Das onze bancas na região central de Londrina, duas já foram fechadas pela CMTU. A reportagem da FOLHA entrou em contato com a assessoria de imprensa da CMTU, mas não recebeu retorno das ligações.


