Certa vez o jurista Evaristo de Moraes Filho, que defendeu o ex-presidente Collor no processo de impeachment, parou em frente ao advogado curitibano Riad Hassan Bark, 43 anos, e, sem cerimônia, disse que o invejava. Não invejava os conhecimentos que Riad tinha do direito, mas a modo de vida que levava. Sem dedicar uma única hora do dia às leis, Riad sobrevive à noite, com os dedos nas cordas de um violão. Moraes disse que gostaria de largar tudo e ser músico. Surpreso, Riad disse invejar Moraes. ‘‘Eu queria ganhar R$ 200 mil por uma causa’’, pensou o músico, sobre os valores que o colega recebia por alguns trabalhos.
E foi por causa do dinheiro que Riad deixou a advocacia, poucos anos após a formatura pela Universidade Federal do Paraná, em 1979. Trabalhando como advogado numa prefeitura e relações públicas em um hotel, Riad ganhava menos do que tocando em bares nos finais de semana. Não demorou a perceber que a estabilidade econômica não viria dos processos penais, mas do violão. A inscrição na OAB número 8.630 se transformaria em uma honraria. Incentivado por amigos ele montou o Ponto Final, um bar que administra há 11 anos. Como o dono da bola no futebol dos moleques, ali ele é o titular.
Cheio de histórias sobre a clientela, na maioria juízes, promotores, advogados e estudantes de direito, Riad tem na ponta da língua a resposta para quem lhe pergunta se está arrependido de ter largado a profissão que lhe tomou cinco anos de estudo. ‘‘Não me arrependo nem um milímetro, nem um nada. Não trocaria jamais a minha vida pela de um advogado’’, diz.
Só quem não gostou foi o pai de Riad, o comerciante Hassam Bark, um flautista nato. ‘‘Ele preferia morrer a me ver cantando’’, conta o comerciante. E Riad bem que tentou advogar, por três anos. Mas não havia jeito, o destino era a música. ‘‘Algumas pessoas diziam: ‘tocando violão você não é tão feio assim’’’, lembra. Riad, um estudante mediano, acreditou. Contam os amigos que, num dos dias mais felizes de sua vida, ele chegou ofegante e exclamando: ‘‘consegui a carteira da ordem!’’. ‘‘Dos advogados?’’, perguntaram os amigos. ‘‘Não. Da ordem dos músicos.’’Albari RosaDestino‘‘Consegui a carteira da ordem’’, comemorou Riad. ‘‘Dos advogados?’’, perguntaram os amigos. ‘‘Não. Da ordem dos músicos’’, respondeu‘‘Não me arrependo nem
um milímetro. Não troco
jamais minha vida pela
de um advogado’’, diz

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