Paulo WolfgangSuspeitaDelegado João do Prado com o processo: ‘Ele deve estar blefando, e não possuir dossiê nenhum’O advogado José Augusto Rodrigues Formigoni - que defende o ex-gerente do Banestado em Cambé, Henrique Faudon Henrique, em processos que apuram a denúncia de fraudes bancárias - não compareceu, ontem à tarde, à Delegacia da Polícia Federal (PF) de Londrina, onde era esperado pelo delegado João Luiz do Prado, que preside os inquéritos abertos em abril de 1996.
O delegado da PF havia convocado Formigoni para que ele apresentasse o dossiê, que diz possuir, com nomes de outros envolvidos no golpe contra o banco do Estado.
O golpe, que causou um prejuízo de aproximadamente R$ 25 milhões ao Banestado, foi concretizado através de negócios fraudulentos realizados na agência de Cambé nos anos de 94, 95 e 96, sob a gerência de Henrique Faudon.
Para não comparecer à Delegacia da PF, o advogado alegou, por escrito, que se reservava sob o direito constitucional de só apresentar os documentos que fazem parte do dossiê durante depoimento à Justiça, quando os inquéritos que apuram o caso estiverem concluídos e forem enviados ao Ministério Público para denúncia e julgamento.
‘‘Se são documentos que serão utilizados na defesa de seu cliente, o advogado realmente tem o direito de mantê-los em sigilo. Mas então, porque ele tem ido a programas de televisão, nos últimos dias, fazendo alarde de que tem o dossiê e que pode mostrá-lo a quem se interessar. Ele deve é estar blefando, e não possuir dossiê nenhum’’, reage o delegado João do Prado à negativa de comparecimento de Formigoni à PF.
O delegado observa ainda que o advogado de defesa do ex-gerente do Banestado pode estar cometendo crime, ao esconder uma lista que diz ter e conter nomes de responsáveis por fraude contra o patrimônio público. ‘‘A investigação e os inquéritos são da alçada federal porque diz respeito ao chamado ‘crime do colarinho branco’, por se tratar de fraude contra o sistema financeiro nacional’’, explica João do Prado.
Ao todo, são seis inquéritos em andamento na PF, envolvendo 18 empresas que teriam conseguido empréstimos e descontos de 522 duplicatas frias de maneira irregular junto ao Banestado de Cambé, com a conivência do ex-gerente Henrique Faudon Henrique, que trabalhou por 17 anos no banco.
O golpe foi descoberto por auditoria interna do Banestado e, segundo a PF, está sendo investigado também pelas receitas Estadual e Federal.
O delegado João do Prado diz não saber quando concluirá os inquéritos para o encaminhamento dos relatórios ao Ministério Público. Ele já ouviu mais de 20 pessoas indiciadas e algumas das 76 testemunhas arroladas no caso. ‘‘Há fortes indícios de que o ex-gerente Henrique Faudon foi o coordenador das fraudes contra o Banestado; de que as duplicatas frias eram descontadas com a conivência exclusiva dele’’, afirma o delegado da PF.
Das 18 empresas envolvidas na fraude, a Freezagro é a responsável pelo maior valor - aproximadamente R$ 6,5 milhões - no total do prejuízo aos cofres do Banestado. Um sétimo inquérito, que apurava a participação da empresa Depósito Planalto, foi concluído em abril deste ano e encaminhado à Justiça Federal.
O delegado João do Prado não sabe informar se houve ou não denúncia da Justiça contra os donos da Planalto, que dizem ter feito acordo financeiro com o Banestado.

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