O advogado da Rede Autônoma de Advogados Populares do Paraná, Josinaldo da Silva Veiga, protocolou esta semana no Fórum de Ribeirão do Pinhal pedido de revogação da prisão preventiva dos quatro sem-terra de Jundiaí do Sul, detidos há 15 dias em Londrina. Idair Sebastião Ribeiro, Wanderlei Tardelli, Anísio Xavier Dias e Renato Pedro de Almeida foram presos por causa do conflito com seguranças e fazendeiros ocorrido no dia 6.
Josinaldo questiona a ‘‘parcialidade’’ como o inquérito foi conduzido, inclusive com a prisão dos sem-terra. ‘‘O Idair, por exemplo, levou um tiro na perna e não estava no local na hora do conflito. Ele foi preso, mesmo ferido, só por ser o líder do acampamento. Essa prisão foi puramente política’’, comentou. O advogado quer saber da Justiça por que não foi realizada também a prisão do fazendeiro Aroldo Schweitzer por tentativa de homicídio e porte ilegal de armas, além dos seguranças que receberam o armamento.
‘‘No final, vão culpar somente os sem-terra porque houve comoção social com os seguranças e fazendeiros presos e machucados, mostrado pela imprensa. Não estou tirando a parcela de culpa dos sem-terra, mas houve um episódio que provocou isso: o tiro dado por Aroldo em Idair’’, ressaltou. Para ele, esta parte foi esquecida no inquérito.
No pedido de prisão preventiva dos sem-terra, solicitado pelo delegado Tarcísio Cândido Carvalho e pela promotora de Justiça Fábia Teixeira Fritegotto, foram apresentados à juíza Telma Regina Magalhães Carvalho somente os depoimentos do fazendeiro Aroldo Schweitzer, da mulher do caseiro da fazenda, Leiza de Fátima Lima Viana (que afirmou não ter presenciado nada até o início da depredação da casa) e dos sem-terra Altevir Ribeiro e João Teodoro Cassemiro. ‘‘Havia outros depoimentos que poderiam ir contra o fazendeiro. Simplesmente não foram considerados’’, garantiu o advogado.
Veiga questiona ainda o motivo de Idair Ribeiro estar preso, com a bala alojada na perna. Ele ficou dois dias internado na Santa Casa de Londrina, mas o projétil não foi retirado.
ConclusõesNo inquérito de 229 páginas, finalizado esta semana, o fazendeiro Aroldo Schweitzer foi indiciado por porte ilegal de armas e 14 sem-terra por sequestro e cárcere privado. ‘‘Não considerei a tentativa de homicídio porque o relatório do Instituto de Criminalística, que analisou o revólver calibre 38 do fazendeiro, não concluiu ter sido disparado recentemente. Vou deixar que a promotora analise os fatos e, se for o caso, faça a denúncia’’, comentou o delegado Tarcísio Carvalho.
Ele justificou a prisão preventiva de Idair Sebastião Ribeiro afirmando que ele foi o mentor intelectual de todo o conflito. ‘‘Mesmo após ter sido ferido, ele tinha condições de comandar os sem-terra a quebrar a casa e a bater no fazendeiro e seus empregados’’, alegou.

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