Advogado questiona exame de DNA realizado em corpo
James Alberti
De Curitiba
A apresentação de uma fita de vídeo com imagens que revelam erros, cometidos nos Estados Unidos, em julgamentos cujas provas eram exames de DNA foi a principal peça apresentada pela defesa ontem, no sexto dia de julgamento de três dos sete acusados do assassinato do menino Evandro Ramos Caetano, 7 anos. A intenção do advogado Álvaro Borges Júnior é questionar o exame de DNA que atestou que o corpo encontrado na Rua das Palmeiras, em Guaratuba, litoral do Estado, é o de Evandro.
Queremos provar que todos os processos têm erro. Que tem que ter muita cautela para condenar alguém, disse. Essa cautela, conforme Borges Júnior, faltou à polícia do Paraná no momento de identificar os culpados. Esse tipo de precipitação (da polícia) não combina com o processo penal, afirmou.
O homicídio teria ocorrido no dia 7 de abril de 1992, em um ritual de magia negra, em Guaratuba. Evandro havia desaparecido um dia antes, entre o trajeto de sua casa e a escola. Estão sendo julgados no Fórum de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, Osvaldo Marcineiro, Vicente de Paula Ferreira e Davi dos Santos Soares, acusados da autoria do crime.
Outro ponto importante da leitura de peças de defesa ontem foi o do depoimento do arcebispo de Curitiba Dom Pedro Fedalto, que visitou os acusados na cadeia. Fedalto afirmou ter sentido que os réus teriam sido torturados, disse Borges. A confissão sob tortura e a dúvida sobre a identidade do corpo são as principais teses da defesa. Essas teses, aliás, foram vitoriosas no primeiro julgamento, que inocentou Celina e Beatriz Abagge, em 26 março do ano passado.
A leitura dos autos do processo de 85 volumes e 16 mil páginas, que era a parte mais cansativa do julgamento, terminou ontem. Hoje devem iniciar os depoimentos das oito testemunhas de acusação, entre elas o delegado Ricardo Kepps de Noronha, que indiciou os sete acusados, e o diretor do IML de Curitiba, Francisco Moraes, que identificou o corpo como sendo de Evandro. Depois, será a vez das 23 testemunhas de defesa. A previsão dos advogados é de que os depoimentos durem até domingo, quando começam os debates.





