Londrina

Mário CésarLuta coletivaO advogado Moisés de Oliveira: conselho ajudaria doentes e pressionaria as autoridades federaisO advogado Moisés Eduardo Bueno de Oliveira, 34 anos, casado, três filhos, está tentando criar em Londrina um conselho municipal filiado à Associação Brasileira de Esclerose Múltima (Abem). Portador da doença, que atinge o sistema nervoso central e não tem cura, o advogado acredita que, através de uma entidade representativa, os doentes terão condições de pressionar o Governo Federal para que forneça o medicamento capaz de espaçar as crises, melhorando a qualidade de vida dos doentes.
O remédio, Beta-Interferon 1B, é importado dos Estados Unidos e embalado no Brasil. São injeções que devem ser aplicadas pelo próprio paciente em dias alternados. O tratamento mensal custa, para cada doente, cerca de R$ 1.500,00. Duas portadoras de esclerose múlitpla conseguiram através da Justiça o fornecimento do produto pelo Governo do Estado. A liminar foi concedida em maio deste ano. A ação judicial tramita na Vara da Fazenda Pública, Falências e Concordatas, de Curitiba, e as portadoras são de Arapongas (37 quilômetros a oeste de Londrina) e Mandaguari (33 quilômetros a leste de Maringá). Segundo o advogado das pacientes, Eleazar Ferreira, foi a primeira ação ganha por doentes de EM contra o Estado do Paraná.
Além de representar os portadores de EM, Moisés Oliveira acredita que a entidade poderá servir de canal para a integração do portador e familiares, propiciar a troca de experiências, ajudando a transpor obstáculos causados pela doença e também como mecanismo para difusão de informações.
A falta de informações sobre a doença, até mesmo entre os profissionais da área da saúde, afirma o advogado, é um dos problemas dos portadores de EM. ‘‘Muitas vezes os portadores, porque se interessam e vão atrás de informações, acabam tendo mais dados que os próprios médicos’’, diz Oliveira.
Oliveira, que teve confirmado o diagnóstico da doença há cerca de dois anos, afirma que a troca de experiências entre as pessoas que enfrentam o mesmo problema pode ajudar o paciente. A confirmação da doença foi para Oliveira ‘‘o fim do mundo’’. Ele lembra: ‘‘Foi a espiritualidade que segurou a barra’’.
O apoio familiar também foi fundamental, ele conta. Sua mulher, psicóloga, já havia atendido familiares de portadores de EM e tinha algum conhecimento sobre a doença, totalmente desconhecida por Oliveira.
O advogado sempre muito disposto, que costumava percorrer as salas do Fórum atrás de processos, percebeu no início um certo cansaço, uma indisposição para qualquer tipo de atividade. Oliveira decidiu procurar um médico quando percebeu que um pequeno esforço físico, como uma corrida da sala onde trabalha até o elevador, lhe causava problemas na visão. ‘‘Era momentâneo, mas ficava tudo embaçado.’’. Então começaram os formigamentos nas pernas.
Do oftalmologista, o advogado passou ao neurologista, que indicou o exame de ressonância magnética do cérebro. Exame que custa cerca de R$ 800,00 e que, em geral, não é coberto por planos de saúde. A suspeita da EM foi confirmada após a punção lombar, para retirada do líquor.
Nesses dois anos, Oliveira vem recebendo acompanhamento médico e enfrentou duas crises. ‘‘Levo uma vida normal, interrompida somente durante os surtos’’, diz ele. A preocupação é justamente com as crises, que podem causar sequelas ou até mesmo a morte. Ele observa que, como o diagnóstico depende de exames caros, muitos portadores de EM só descobrem a doença quando ela se encontra em estágio avançado. ‘‘Alguns morrem sem saber que a têm.’’

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