Advogado quer evitar julgamento
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
O advogado Osmann de Oliveira, que integra a defesa de Celina e Beatriz Abagge no caso Evandro, disse ontem que ainda estuda a possibilidade de tentar anular a pronúncia de suas clientes, evitando que vão a julgamento. O júri dos sete acusados pela morte do menino foi marcado para novembro, em três datas diferentes. Os advogados dos outros cinco acusados não pretendem adiar o julgamento.
Os sete réus são acusados por homicídio quadruplamente qualificado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha, sequestro e cárcere privado. Eles teriam participado de um ritual de magia negra em Guaratuba, em abril de 1992, com o sacrifício do menino Evandro Caetano, de sete anos.
Os três júris ocorrerão em São José dos Pinhais, para onde o processo foi transferido. No dia 10 de novembro começa o julgamento de Oswaldo Marcineiro, Davi Soares e Vicente de Paula. No dia 17, o de Celina e Beatriz Abagge e, no dia 24, o de Airton Bardelli e Sérgio Cristofolini.
No período de pouco mais de dois meses que falta para o primeiro julgamento, muita coisa ainda poderá acontecer nos tribunais. Há fatos novos que talvez possam anular a pronúncia, disse de Oliveira. Segundo ele, a defesa analisa a possibilidade de impetrar habeas corpus em favor das Abagge, mas não teme o júri: Temos provas estarrecedoras e certeza da absolvição.
O advogado Antônio Augusto Figueiredo Basto - que defende Marcineiro, Soares, Paula e Cristofolini - disse que só tentará adiar o júri se não tiver acesso às fitas cassete que contêm a confissão de alguns dos acusados. Figueiredo quer uma perícia para comprovar que as confissões foram obtidas mediante tortura.
Todos os advogados pretendem pedir a absolvição de seus clientes. Mas, mesmo que sejam condenados à pena máxima (30 anos), nenhum dos réus - atualmente em prisão domiciliar - voltará para a prisão. Aguardando julgamento, eles já cumpriram um sexto da pena, o que lhes dá direito a cumprir o restante em regime semi-aberto.
O anúncio da data do julgamento inicia um período de esforço concentrado para a Justiça, o Ministério Público e os advogados. Figueiredo disse que a partir de outubro fecha o escritório, para se dedicar só ao caso Evandro. O promotor de Justiça Celso Peixoto Ribas, designado para auxiliar a promotora Rosana Santos Lima na acusação, está afastado do trabalho rotineiro para estudar o processo.


