O advogado Omar Salle quer que o delegado do 1º Distrito Policial de Londrina, Edmo Ermenegildo, responsável pelo inquérito que apura a morte do pastor José Idalécio Bueno, seja afastado do caso. Ele protocolou, anteontem à tarde, medida administrativa junto ao Fórum de Ibiporã, requerendo o afastamento do delegado. O pastor morreu dentro de uma viatura policial, no dia 9 de fevereiro, em Ibiporã, após uma discussão com policiais militares.
O advogado representa os quatro PMs acusados de espancar o pastor - o sargento Levi Teófilo e os soldados Antônio Marcos Pereira, Amilton Rodrigues dos Santos e João Reis. Ele justifica o pedido afirmando que o delegado está prejulgando seus clientes.
De acordo com a medida administrativa, o advogado pede ‘‘providências urgentes contra atitudes suspeitas do delegado’’. Omar Salle afirma que o relatório sobre o caso, ao invés de ser enviado ao Ministério Público, foi dirigido antes à imprensa.
Omar Salle critica o fato do delegado ter indiciado os policiais militares por lesão corporal seguida de morte. ‘‘O delegado comprometeu antecipadamente o trabalho do Ministério Público e do Poder Judiciário em caso de uma absolvição ou uma tipificação mais amena, em contraposição à opinião pública e a imprensa’’, critica.
Ainda de acordo com o advogado, há uma premeditada parcialidade do delegado. No documento protocolado no Fórum, Omar Salle observa que, analisando os laudos, não houve violência e os policiais agiram ‘‘no estrito cumprimento do dever legal.
O advogado requer que seja enviado ofícios às autoridades adminitrativas e ao Ministério Público para que se tomem as providências cabíveis, inclusive determinando o afastamento de Hermenegildo.
O promotor Pedro Carvalho Santos Assinger, de Ibiporã, disse ontem, no final da tarde, que ainda não havia recebido o documento, por isso não poderia adiantar nenhuma informação. Já o delegado Edmo Ermenegildo afirmou desconhecer o pedido de afastamento e preferiu não se manifestar a respeito.
Para conclusão do inquérito policial, segundo o delegado, falta apenas a resposta do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina sobre a viabilidade de realizar exames solicitados pelos advogados da família do pastor. São exames de sanidade mental nos policiais acusados, além de testes nas roupas e no cadáver de José Idalécio Bueno. Todas as testemunhas, cerca de 10, já foram ouvidas. Além de policiais militares, estão envolvidos no caso os policiais rodoviários Florisvaldo de Jesus Spolador, Aluísio Martins Cardoso, Dirson Domingos Thomé, Sérgio Noveli e Cláudio da Cruz Oliveira.

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