Com as próprias mãos e a ajuda de um facão, o advogado Hamilton Laertes Araújo cortou um galho de uma árvore, no Calçadão da Região Central de Londrina, no começo da tarde de ontem. Não fez isto só, uma multidão se reuniu e entoou: ''corta, corta''. Ele protestava contra a demora na poda e erradicação de árvores no município. ''Já havíamos pedido providências. Precisou um assaltante subir pela árvore e entrar no apartamento de uma viúva para que eu tomasse essa decisão. Não está certo, mas não dá para aguardar''.
O secretário municipal do Meio Ambiente, Gerson da Silva, estava no local e assegurava que uma equipe técnica faria o serviço hoje. ''Há a demora, eu reconheço, mas não se pode sair cortando árvores por conta. É crime ambiental e também afronta ao poder público, porque eu estou me comprometendo que o serviço será feito amanhã (hoje)''. A justificativa para que a poda não fosse feita ontem mesmo é que os técnicos já estavam fora do horário de serviço.
''O último pedido para a Sema (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) foi feito em agosto do ano passado, mas há quatro anos pedimos que se faça alguma coisa. Essa senhora assaltada anteontem, felizmente não se feriu, mas alguém pode se machucar. Por isso o protesto'', ponderou a síndica do Edifício Monalisa, Fátima Manese. No prédio moram 60 famílias e algumas ficaram amedrontadas, pois no último final de semana, um homem subiu pela árvore e invadiu um apartamento no 1º andar. ''Depois que entra, ele tem acesso a todos os apartamentos'', ressaltou a síndica.
O protesto do advogado gerou polêmica. A população que se juntou em torno da árvore estava dividida. Alguns eram a favor da planta, mas a maioria queria o abate em benefício da segurança. ''Segurança pública é questão de Estado. Eu não posso resolver. Mas pela segurança os cidadãos vão sair cortando todas as árvores de Londrina?'', questionou o secretário. A população respondeu com vaias. O autor do protesto com ação: subiu na árvore com um facão e cortou um galho.
De acordo com Silva, o advogado será responsabilizado pelo corte da árvore. ''Vou repassar para a assessoria jurídica da Sema, mas isso é crime ambiental. Ele poderá ser processado''. Araújo rebateu: ''Se precisar ser preso, serei. O que não podemos é seguir vivivendo neste desgoverno. Sei que é ilegal cortar árvores. Na minha propriedade rural estou plantando mais de dez mil mudas, mas aqui, com a segurança em risco, não dá mais para aguentar.''

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