Advogado lança acusações sobre
delegado Antônio Zuba de Oliva
Paulo Ubiratan
Londrina
O advogado Adolfo Luis Souza Góis (foto) entrou com uma ação judicial, acusando o delegado do 2º Distrito Policial, Antônio Zuba de Oliva, de abuso de poder, violação de domicílio e tentativa de extorsão. O advogado se baseou nas denúncias do delegado publicadas na edição de ontem da Folha, nas quais ele dizia que o cliente de Adolfo Góis, Walter Ribeiro de Faria, estaria traficando drogas para Ninias Jacó da Silva.
Jacó foi preso com cocaína na quarta-feira, durante uma ação conjunta das polícias Civil e Militar. Zuba afirmou à reportagem que chegou ao traficante preso por intermédio de Eliana Taborda e Rosilene dos Santos, presas em setembro. Elas declararam ao delegado que compraram crack (pasta base de cocaína), na rua Santa Eloá, 226, onde Faria tem uma oficina de refrigeração.
Após a prisão das duas mulheres, Zuba e a delegada adjunta do 2º DP, Waldete Testoni, além de uma equipe de detetives e do serviço reservado da Polícia Militar, foram até a empresa do acusado e fizeram uma revista geral.
Nada foi encontrado no local que comprometesse Faria. O advogado Góis disse que a invasão da empresa do seu cliente representou violação de domicílio, pois o delegado não tinha mandado judicial de busca e apreensão. Góis disse que a partir daquele dia seu cliente começou a sofrer perseguição dos policiais do 2º DP.
‘‘Além de meu cliente estar sofrendo com os atos de terrorismo policial, eu fui abordado pelo delegado Zuba. Eu havia ido à delegacia pedir para ele parar com a perseguição e as arbitrariedades contra o meu cliente. Na ocasião, Zuba veladamente me deu a entender que tudo seria resolvido por R$ 3 mil, pagos em parcelas de R$ 750, a partir de novembro’’, afirmou Góis.
A representação judicial foi apresentada ao juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Araújo Ribas. Góis também remeteu uma representação a Zuba. Nesta, no entanto, ele acusa de extorsão apenas os policiais do 2º DP. Outro aspecto ressaltado pelo advogado é que Faria havia ido ao 2º DP prestar depoimento, contrariando as declarações do delegado de que ele estaria foragido.
O delegado disse ontem que as denúncias do advogado Góis contra ele representam uma total falta de profissionalismo. ‘‘Este senhor está agindo sem nenhuma ética, e por incapacidade profissional está jogando lama na polícia’’, afirmou Zuba. Ele disse que vai representar contra Góis na Justiça, para que prove o que está dizendo e notificar a Ordem dos Advogados (OAB) sobre o procedimento de Góis.
A delegada Valdete Testoni também ficou revoltada com as denúncias do advogado. ‘‘Não somos nós que estamos fazendo terrorismo. Quem está tentando nos aterrorizar é este advogado, com denúncias infundadas e desrespeitosas’’, disse. Ela afirmou que as alegações de que Faria foi preso sem mandado judicial são totalmente infundadas e explicou que a polícia estava dando sequência ao flagrante que havia feito das duas mulheres, e por isto não precisava de mandado judicial. Eliana confirmou à reportagem que comprou crack de Walter. ‘‘Eu estive na empresa dele na rua Santa Eloá por várias vezes. Sou viciada e ele me cobrava R$ 10,00 cada porção.’’

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