Advogado é presenteado com bomba
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quinta-feira, 06 de janeiro de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Em mais de 30 anos de atuação profissional em Londrina, o advogado Hamilton Laertes Araújo jamais imaginou que se depararia com uma situação como a ocorrida há cerca de 20 dias. Ele recebeu em seu escritório familiares de um cliente morto que lhe entregaram um artefato semelhante a uma granada de mão em perfeito estado de conservação. Segundo o Exército, trata-se de uma bomba de gás lacrimogêneo.
O advogado contou que a viúva de um cliente assassinado recentemente o procurou dizendo que o marido, antes de morrer, havia manifestado o desejo de se livrar do artefato porque ''não queria ferir ninguém'' e tinha a intenção de abandonar a vida de crimes. ''Tenho por hábito orientar meus clientes mostrando para eles o fim que aguarda quem ingressa no mundo do crime: a cadeia ou o cemitério. Eu mostrei para ele um livro, que é uma espécie de obituário que tenho com mais ou menos 150 nomes de clientes, a maioria deles jovens, que já perderam a vida prematuramente de forma violenta'', comentou o advogado. Araújo disse ter concluído a conversa lendo o provérbio 10-27 da Bíblia: ''O temor ao Senhor prolonga os dias da vida mas os dias dos perversos serão abreviados''. O rapaz, entretanto, não teve o perdão de seus algozes e acabou morto.
Depois de ouvir o relato da mulher, Araújo disse que apenas recebeu ''a batata quente'' e como não cuidava mais do caso não entrou em detalhes para saber como seu ex-cliente havia conseguido o artefato. ''Peguei da pessoa e procurei entregar para quem de direito. Em 30 anos de profissão esse foi o pedido mais absurdo. É uma batata quente porque não tenho como ficar com isso em casa nem no escritório'', apontou, pedindo sigilo na divulgação do local onde o artefato está acomodado.
Ele garantiu que assim que recebeu o ''presente'' comunicou as chefias das polícias Militar, Civil e Federal, além da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o 30º Batalhão de Infantaria Motorizada em Apucarana. O comandante do batalhão, tenente-coronel Nélio Rodrigues Goulart, informou que um oficial militar anotou as inscrições, fotografou o artefato e encaminhou os dados para serem avaliados pela Seção de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército, em Curitiba. O resultado da análise deve ser conhecido até o início da próxima semana.
O comandante adiantou, porém, que ''é líquido e certo que não se trata de artefato de uso militar, não causa fragmentação nem libera estilhaços''. Com base nas imagens e inscrições, o militar assegurou que trata-se de um artefato carregado com gás lacrimogênio. ''Quanto à origem, pode ter vindo de qualquer lugar, inclusive contrabandeado do Paraguai'', afirmou Goulart. De acordo com ele, assim que for identificada a origem, o órgão competente será comunicado pelo Exército e deverá se responsabilizar pelo seu recolhimento já que, conforme o militar, a detonação agora poderia destruir uma futura prova de crime.
A Delegacia da Polícia Federal encarou o achado com naturalidade. A assessoria de imprensa informou que, por enquanto, a descoberta de um artefato como esse na cidade não traz preocupação e que não vê relação com um possível aumento do poder de fogo dos criminosos locais. A PF realiza uma campanha de desarmamento na região e já recebeu granadas antigas que pertenciam a ex-integrantes das Forças Armadas, que foram encaminhadas ao Batalhão do Exército em Apucarana.


