James Alberti
De Curitiba
O advogado Luiz Renato Cardoso Crovador, 53 anos, foi executado ontem com dois tiros, um na cabeça e outro no pescoço. O crime aconteceu às 11 horas, dentro de um banheiro do seu escritório, que fica na Rua Euzébio da Motta, 37, no bairro Centro Cívico, em Curitiba. Nada foi roubado do escritório.
Ex-delegado de polícia, Crovador era advogado criminalista e defendia traficantes, assaltantes e policiais corruptos. ‘‘Temos que trabalhar com calma. Bandido não faltava. Era com o que ele (Crovador) mais mexia’’, disse a delegada Margareth Alferes Oliveira Motta, da Delegacia de Homicídios de Curitiba.
Segundo ela, o advogado foi morto por dois jovens, com cerca de 20 anos. Ele foi posto de joelhos no banheiro e executado. Margareth apurou com funcionárias de Crovador que os assassinos não eram clientes. A delegada acredita que eles tenham sido contratados para matar o advogado. Até o final da tarde, a polícia não tinha pistas dos acusados. A delegada prepara um retrato falado, que deve ser divulgado ainda nesta semana.
Uma funcionária do escritório afirmou que os dois jovens pediram uma audiência com o advogado. Depois de saber que um deles se chamava Edson, o advogado teria mandado os dois entrarem. A delegada acredita, porém, que o nome seja falso. Margareth recolheu do escritório papéis com rascunhos do advogado, que podem indicar os autores da morte. Nos rascunhos, Crovador escreveu o nome Edson duas vezes. Numa delas, acrescentou o sobrenome Barbosa e a frase: ‘trabalha no presídio de Piraquara’.
Poucos minutos se passaram da entrada dos acusados até o assassinato. Segundo a delegada, uma funcionária teria ouvido uma discussão, para que Crovador fosse a outro cômodo do escritório – provavelmente o banheiro onde foi morto. Instantes depois, a funcionária teria ouvido os tiros e saiu correndo. Os acusados pularam a grade que protege a casa de dois andares, na qual fica o escritório, e fugiram à pé.
O advogado foi socorrido e levado com vida ao Hospital Cajuru. A mãe de Crovador, que reside nos fundos do escritório, socorreu o filho. Amigos da família afirmaram que o advogado teria dito nomes de pessoas que poderiam querer sua morte. A informação foi desmentida pela delegada. ‘‘Ele só pediu socorro’’, afirmou Margareth.
A Ordem dos Advogados do Brasil, subseção de Curitiba, mandou fax à redação lamentando o assassinato. O presidente da entidade, Natanael Ricci, cobrou medidas ‘urgentes’ e ‘exauriante ingestigação’ para prender os responsáveis pelo crime.

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