RIBEIRÃO CLARO - O advogado Vicente Magalhães, 37 anos, e o pecuarista Amauri de Melo Gomes, cliente dele, foram vítimas de um atentado a bala, na madrugada de ontem. Eles estavam discutindo um processo contra agiotas na casa de Gomes, em Ribeirão Claro (24 quilômetros a leste de Jacarezinho). Foram disparados seis tiros contra dois cômodos da residência. Esta é a segunda agressão sofrida pelo advogado e pecuarista no mesmo local em oito meses.
No dia 23 de junho de 96, dois tiros foram disparados contra a mesma casa. ‘‘Fazia pouco mais de uma hora que eu havia chegado na casa de meu cliente, quando dispararam contra a residência. Acredito que foram os mesmos autores do outro atentado’’, supõe Magalhães.
O advogado está defendendo processos de dois clientes contra agiotas, que estavam cobrando até 20% de juros ao mês sobre empréstimos. Ao todo, 15 pessoas que emprestaram dinheiro a juros exorbitantes, segundo o advogado. Entre os agiotas, segundo ele, estão pessoas ‘‘importantes’’ no município.
‘‘As ações são revisionais. Não queremos deixar de pagar, mas pagar os juros garantidos em lei. Em vez de conversarem com a gente, estão tentando nos amendrontar’’, ressalta. Ontem de manhã, a promotoria e a juíza foram comunicadas do atentado. Magalhães vai comunicar ainda a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pedindo apoio para os inquéritos sobre os atentados.
O delegado Acilton Damian Preve disse ontem à tarde que todas as providências já foram tomadas. O Instituto de Criminalística de Londrina já esteve no local fazendo levantamento dos disparos. ‘‘Foram encontrados quatro projéteis e cinco sinais nas paredes’’.
Preve acredita que os dois atentados estão relacionados, mas não tem pistas da autoria. Além das vítimas, o delegado pretende ouvir vizinhos e as 15 pessoas acusadas de agiotagem pelo advogado. Ele tem 30 dias para concluir o inquérito.

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