Advogado é acusado de tentar extorquir
Osmani Costa
De Londrina
O engenheiro civil Wagner de Paulo Barros, dono da construtora Conwak Engenharia, acusado anteontem de crime de racismo pelo servente de pedreiro José Nilton Pereira de Souza, contratou ontem, para defendê-lo, o advogado criminalista Mauro Viotto. O advogado denuncia que Barros estaria sendo vítima de tentativa de extorsão pelo operário e pelo advogado de acusação, Jorge Custódio.
Isto é uma armação do Custódio e dos operários que entraram com a representação na polícia. Eles estão querendo pressionar o meu cliente para receber algum dinheiro. Não houve nenhuma discriminação ou crime de racismo por parte do Wagner Barros, afirmou Viotto. Ele disse ainda que, em resposta à suposta tentativa de extorsão, tomará na próxima semana três providências distintas.
Uma delas será uma representação na polícia denunciando o crime de tentativa de extorsão por parte de Custódio, José de Souza que é negro e outros dois operários, arrolados como testemunhas da suposta discriminação na ação aberta anteontem contra Wagner Barros. Também será, segundo Viotto, ajuizada ação cível reivindicando indenização por danos morais e materiais causados ao seu cliente. Além disso, Custódio será alvo de uma representação na subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sob acusação de má-conduta e quebra da ética profissional.
De acordo com Viotto, as acusações de que a empresa Conwak estaria devendo aos operários demitidos não tem fundamento porque as contratações sem registro em carteira deles foram feitas pelo empreiteiro Hélio Caetano Crocce. Tudo que a Conwak combinou e devia, pagou ao Crocce. Se é que alguém deve aos operários demitidos, é o Crocce e não a empresa do Wagner Barros, ressaltou Viotto.
Ele mostrou um termo de acordo extrajudicial firmado entre Hélio Crocce e os operários José de Souza, Jair Muniz e Alcimar Vieira. Pelo acordo, os três receberiam, na última segunda-feira, R$ 410,00; e então dariam quitação aos extintos contratos de trabalho, nada mais tendo a reclamar em tempo algum. Na opinião de Viotto, o documento é a prova de que a Conwak nada tem a ver com a contratação dos operários e supostas dívidas com eles. Os operários alegam ainda não ter recebido o combinado com Crocce.
Na representação que José de Souza e Jorge Custódio deram entrada, anteontem, na polícia contra Wagner Barros, o operário afirmou que o engenheiro civil o teria xingado de negão vagabundo. O empresário e o advogado Viotto negam veementemente esta acusação. O inquérito para apurar a denúncia foi aberto pelo delegado do 4º Distrito Policial, Joaquim Antonio de Melo, que começará a tomar os depoimentos dos envolvidos na próxima semana.





