James Alberti
De Curitiba
O advogado José Antônio Brito é acusado de tentar subornar a dona de casa Marisa Tarborda da Maia, 35 anos, mãe biológica do casal de gêmeos adotados ilegalmente pelo deputado estadual Edson da Silva Praczyk (PL). Brito é advogado do deputado, que é da bancada governista e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa.
Antes da Folha denunciar Praczyk, Marisa afirmou ao delegado do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), Harry Herbert, que o advogado lhe deu mais uma cesta básica e pediu para que ela desmentisse as denúncias que havia feito no Sicride. A dona de casa havia denunciado que foi forçada a entregar os filhos e que recebeu cestas básicas e material de construção pelas crianças.
O advogado nega o crime. Brito admite ter entregue uma cesta básica à família de Marisa, mas afirma que fez isso para ajudá-los, pois passavam fome. O advogado afirmou ter ido à casa de Marisa para oferecer-se para defendê-los num possível processo pela venda dos filhos. O advogado, no entanto, admitiu ter dito a Marisa que ela e o marido iriam ‘‘se ferrar’’ caso continuassem a afirmar que tinham recebido material de construção para entregar os filhos. ‘‘Falei por causa do processo crime que eles iam responder’’, defende-se Brito.
Tudo normal se a negativa de Marisa não favorecesse diretamente os outros dois clientes do advogado: o deputado Edson Praczyk e a empregada doméstica Sirlene Aparecida Pinto, procurada pela polícia desde maio, quando a Folha denunciou o caso. Sirlene é acusada de ter intermediado a venda das crianças. O deputado é acusado de ter pago para ficar com os bebês e de registrá-los como se fossem seus e da mulher, Rosária Tobias Praczyk. Os gêmeos nasceram no dia 5 de novembro do ano passado, em Campo Largo, e foram adotadas irregularmente 45 dias depois.
O delegado do Sicride não confirmou à Folha se irá indiciar o advogado por crime co-autor na venda das criança, artigo 238 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Brito teria contribuído para a prática do crime ao oferecer a cesta básica para Marisa e pedir para que ela negasse as acusações. Hebert reafirmou que não quer dar declarações antes do término das investigações. O inquérito, segundo ele, deve ser encerrado em, no máximo, 30 dias.
Desculpas – O operário Natálio Firszt pediu ontem no Sicride desculpas à repórter Giordana Martinez e ao cinegrafista Sérgio Gandoki, da TV Bandeirantes. Anteontem Firszt tentou agredir os funcionários da Band quando estes tentaram entrevistá-lo.
Segundo o delegado do Sicride, o operário estava apavorado e arrependido por sua atitude. ‘‘Até fiquei com pena dele. O coitado tremia’’, disse Herbert. Firszt disse que não tinha intenção de agredir ninguém, mas que estava desesperado porque sua vida ‘‘está um inferno.’’ Conforme o delegado, o operário disse que tanto ele quanto a mulher querem os filhos de volta.

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