Advogado e 5 policiais são presos por extorsão
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domingo, 11 de agosto de 2002
Sid Sauer<br> Equipe da Folha 
Campo Mourão Cinco policiais civis e um advogado de Campo Mourão tiveram mandado de prisão decretado sexta-feira pelo Tribunal de Justiça do Paraná. Eles são acusados de formação de quadrilha e extorsão mediante sequestro. Segundo a denúncia do Ministério Público, eles teriam exigido o pagamento de R$ 5 mil para liberar dois rapazes sem ''armação de flagrante'' no início de maio de 2000.
O advogado Roberto Teixeira Duarte, 28 anos, se apresentou sábado na 16 Subdivisão Policial de Campo Mourão, onde está detido. Os cinco policiais, que foram transferidos após a denúncia, também já se apresentaram. São os investigadores Mauro Pereira Soares, 40 anos (Umuarama); Melchior Canuto Vieira, 47 (Maringá); Paulo Fumiyuki Asso e Nélson Reticena (Engenheiro Beltrão), 41; e o escrivão Antônio Evaristo de França, 46 (Francisco Beltrão).
Segundo a denúncia, os policias fizeram a prisão ilegal de Hudson Verli Moreira e Juliano Alves Pereira e pediram R$ 3 mil para que não fosse feito o flagrante. O advogado teria participado do esquema e pedindo R$ 2 mil pela defesa deles. Hudson e Pereira são de Minas Gerais e ficaram presos da noite de 30 de junho até a manhã de 2 de maio porque estavam dirigindo em alta velocidade e sem portar carteira de habilitação.
O pagamento só não foi feito porque os rapazes presos conversaram por telefone com a família e houve uma denúncia ao Ministério Público. Hudson e Pereira chegaram a ser levados para um posto de combustível na saída para Maringá, onde o dinheiro seria entregue por familiares dos rapazes que estavam vindo de Minas Gerais. Avisada do encontro, a Polícia Militar foi ao local e fez o resgate dos dois rapazes.
A versão dos policiais e do advogado nega a prisão e a extorsão de Hudson e Pereira. Eles disseram que os dois foram levados à delegacia apenas para averiguação porque estavam com um carro locado e sem carteira de motorista. Os rapazes teriam ficado na delegacia, soltos, porque não teriam para onde ir. O advogado afirmou em depoimento que havia pedido R$ 2 mil para acompanhar o caso deles no Juizado Especial Criminal.
De acordo com Teixeira, os dois rapazes pediram outros R$ 3 mil à família porque estavam sem dinheiro. A versão dos acusados também diz que eles a marcaram o encontro no posto de combustível porque o local era fácil de ser encontrado pelos familiares de Hudson e Pereira, que não conheciam Campo Mourão. A denúncia do MP foi feita em junho do ano passado. Na época, a Justiça acatou a denúncia, mas negou a prisão deles.


