Silvana Leão
De Londrina
O advogado e imobiliarista londrinense Walid Kauss está particularmente revoltado com a morte dos marrecos, patos e gansos do Lago Igapó (área central da cidade), que vem ocorrendo há aproximadamente 10 dias. Kauss é o responsável pela presença das aves no local e acredita que a causa da mortandade seja a contaminação da água.
‘‘Não acho que alguém esteja jogando veneno, porque sabemos que todo mundo gosta destes bichos e admira sua beleza.’’ O imobiliarista, que mora próximo ao lago e também é dono do bar e boate Pier (localizado na mesma região), começou a introduzir as aves no Igapó há aproximadamente três anos. A idéia surgiu visitando outros países, onde é comum este tipo de iniciativa.
Os filhotes de marrecos de Pequim e marrecos canadenses eram trazidos de Joinville (SC) e criados na garagem do bar por cerca de 60 dias. Em seguida eram colocados no lago e alimentados religiosamente duas vezes por dia. ‘‘Primeiro eu ligava encomendando os filhotes, depois ia até lá buscá-los’’, conta Walid Kauss, que calcula já ter colocado mais de mil marrecos brancos (de Pequim) no lago.
Segundo ele, cada filhote de marreco de Pequim custa R$ 0,80; de marreco canadense, R$ 30,00 (já comprou cerca de 70); e de ganso e pato custam R$ 15,00 (cerca de uma centena foram introduzidos no Igapó). Apesar de muitos filhotes sumirem, o advogado nunca desanimou em continuar contribuindo para tornar ainda mais bonito um dos principais cartões-postais da cidade.
Ele explica que, além da vontade de trazer mais um atrativo para o local, sua intenção foi oferecer um hobby para seu pai, que se encarregava de alimentar as aves. ‘‘Agora, se os 30 pássaros que ainda restam também vierem a morrer, não vou mais colocar. Em vez de alegria, nossa iniciativa só nos trouxe tristeza.’’
Certa vez, Walid Kauss chegou a construir uma rampa com grade, à beira do lago, para impedir a entrada de ladrões e predadores. ‘‘Naquela época, era comum pessoas de idade e crianças virem admirar e alimentar as aves.’’ Reclamações de vizinhos, porém, obrigaram o advogado a tirar a grade, e ele acredita que isto também contribuiu para a mortandade que vem sendo registrada.
Embora o exame de toxicologia realizado no Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina tenha apontado como causa da morte das aves o envenenamento por inseticida (misturado a uma substância que pode ser miolo de pão), Kauss descarta esta hipótese. ‘‘Nos últimos dias tenho visto até cormurões – também conhecidos como biguás – mortos. E como cormurão não come miolo de pão, só peixe, não acredito em envenenamento.
Desanimado, o advogado espera, agora, que as autoridades do município tomem as devidas providências, tanto no sentido de repovoar o lago com as espécies, como no sentido de encontrar a origem da contaminação. ‘‘Se quiserem, posso até fornecer o telefone de onde comprava os filhotes’’, avisa.

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