O delegado Marcus Michelotto, no 9º Distrito Policial, tomou ontem o depoimento das quatro primeiras testemunhas do processo de racismo, movido por uma aluna da Universidade Tuiuti do Paraná contra um professor de economia. Segundo o delegado, os alunos confirmaram algumas partes da versão da estudante Camila Vargas de Souza, que acusa o professor Wilhelm Eduard Meiners de injúria racial. O advogado de Meiners, Marlus Arns de Oliveira, garante que o professor não teria ofendido a jovem, sendo ainda avesso a qualquer discriminação racial.
Michelotto informa que os quatro alunos contaram o que teria acontecido durante a aula. Porém, o delegado não informa se eles confirmaram a denúncia da jovem. Camila moveu processo porque o professor teria dito que ‘‘baiana é uma galinha preta de encruzilhada’’. O delegado afirma que deve convocar outros alunos, que estavam na sala de aula, além das testemunhas de Meiners. Também deve esperar o resultado da sindicância interna da universidade, que investiga o que aconteceu naquele dia.
Para o advogado de Camila, André Luiz Nunes da Silva, os depoimentos dos alunos confirmam a versão da jovem. Ele informa que em casos de racismo, a versão testemunhal é a mais forte. ‘‘Todos os alunos presenciaram o fato, por isso, o que foi dito em público é o que deve pesar mais na decisão da Justiça’’, diz, apostando no indiciamento do professor.
Porém, o advogado do professor, Marlus de Oliveira, acredita que a denúncia não procede. Ele alega que em nenhum momento falou em ‘‘galinha preta de encruzilhada’’. Oliveira acrescenta que o apelido de Camila Souza é baiana e quando ele destacou este adjetivo não o fez com tom pejorativo.
Oliveira informa que o Wilheln Meiners vai conversar com a imprensa no dia em que prestar o depoimento. A data depende do resultado das investigações da polícia, que ainda aguarda o resultado das investigações da Tuiuti. A expectativa é que ele deponha apenas na próxima semana.

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