O delegado Antônio do Carmo, do 1º Distrito Policial, que está conduzindo o inquérito que apura a morte da secretária Jacqueline Carneiro Lobo, deve ouvir hoje os advogados Moisés Godoy e Elaine Christina Gomes. Os dois trabalham no escritório de advocacia onde a vítima foi morta com um tiro na cabeça, desferido pela dona-de-casa Maria Sueli Costa Moura, na última sexta-feira.
Jacqueline Lobo era a namorada do ex-marido de Maria Sueli, o ginecologista João Bento Moura Neto. Ele havia se separado da mulher, judicialmente, há cerca de um mês. Segundo informações do advogado Moisés Godoy, Jacqueline já vinha recebendo ameaças de morte de Maria Sueli, que telefonava para seu local de trabalho e também para sua residência. Antes de acertar o tiro em Jacqueline Lobo, a dona-de-casa já havia lhe desferido uma coronhada na cabeça e um tiro para o alto, que acertou a porta do escritório dos advogados. A secretária ficou em estado de coma profundo por 29 horas, falecendo na noite de sábado.
Segundo o delegado Antônio do Carmo, com o depoimento de Moisés Godoy e Elaine Gomes a intenção é esclarecer em que circunstâncias Jacqueline recebeu o tiro fatal e verificar se a versão das testemunhas coincide com aquela apresentada pelos policiais militares. Em caso de divergência, o delegado não descarta a possibilidade de pedir a reconstituição do crime.
O advogado Antônio Carlos Vianna, que defende Maria Sueli, afirma que a morte de Jacqueline representa um legítimo caso de crime passional. ‘‘Isso é público e notório’’, diz. Se o caso for tratado desta forma, como querem os advogados de defesa, Maria Sueli poderá ser condenada por homicídio simples com redução de um terço da pena, ficando de três a quatro anos em reclusão. Caso contrário, na hipótese do crime ser considerado homicídio qualificado, as penas podem variar de 12 a 30 anos.
Vianna acrescenta que vai entrar com pedido de liberdade condicional para a ré somente após o final do inquérito policial, que deve ser concluído até o próximo domingo. Maria Sueli continua presa no 2º DP e em tratamento médico, devido a seu estado de depressão, segundo o advogado. Em função disso, o delegado Antônio Zuba achou melhor colocar uma outra presa na mesma cela para fazer companhia à ré.
O advogado Antônio Vianna descarta qualquer culpa dos PMs durante a ação que culminou na morte de Jacqueline Lobo. Mas aponta um ‘‘fato novo’’ ao caso: ‘‘Eu só acho que os policiais já tinham praticamente tranquilizado a Maria Sueli e a situação estava sob controle. Mas a vítima precipitadamente passou na frente dela e olhou com olhar provocativo. Por isso, provocou o impulso dela atirar. Os policiais não esperavam essa reação e não podemos culpá-los. Eles fizeram a coisa certa.’’
Vianna diz ainda que, além da vítima, houve precipitação dos advogados Moisés Godoy e Elaine Cristina Gomes em permitirem que Jacqueline Lobo saísse da sala em que se encontrava e passasse em frente a Maria Sueli. ‘‘Eles foram irresponsáveis.’’
A advogada Elaine Gomes, que estava ao lado de Jacqueline na hora do tiro fatal, acha absurda a hipótese do ‘‘olhar provocativo’’ e acrescenta que elas só saíram da sala porque a Polícia Militar teria dito que tudo estava sob controle. ‘‘Essas são as palavras: tudo sob controle. Se imaginássemos que ela (Maria Sueli) ainda estivesse no escritório, não teríamos saído’’, destaca a advogada.
O promotor da 1ª Vara Criminal de Londrina, Janderson Camões, será o titular da ação penal contra Maria Sueli Costa Moura. Ele terá como assistente de acusação o advogado João dos Santos Gomes Filho, que por enquanto acompanha o inquérito em nome da família de Jacqueline Carneiro Lobo. A acusação apenas se materializa após o recebimento da denúncia.
‘‘Não tenho a menor dúvida de que se trata de homicídio qualificado’’, atesta João dos Santos. Para ele, o crime foi por motivo fútil e premeditado, já que Maria Sueli foi ao escritório armada e teve tempo para desistir enquanto estava com os policiais.
O advogado lembra que, durante este tempo, conversou com a filha e o ex-marido pelo telefone celular. Mas ainda assim, quando viu Jacqueline Lobo passando pela porta, levantou-se repentinamente e atirou, atingindo a vítima na cabeça. ‘‘Vamos buscar a condenação, custe o que custar, doa a quem doer.’’

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