Advogado diz que acampados mantêm famílias sob cárcere
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terça-feira, 25 de agosto de 1998
Maurício Borges 
Proprietários da Fazenda 7 mil, tomada por cerca de 1.200 famílias de sem-terra instaladas em dois acampamentos, estão denunciando que as 40 famílias de funcionários da fazenda estão sendo mantidas sob regime de cárcere privado. A denúncia foi reiterada ontem pelo advogado Nilson Tadeus Reis Campos Silva, de Maringá, que representa a família Pinho de Almeida nas questões relacionadas às fazendas Corumbataí e Canadá.
Segundo ele, na queixa-crime registrada na delegacia de Jardim Alegre (120 km ao sul de Apucarana), constam ainda delitos como roubo, saque, danos contra o patrimônio, atentado à liberdade de trabalho e até sequestro de pessoas.
Com base em informações transmitidas por um trabalhador que conseguiu sair da 7 mil após a invasão da sede da fazenda, o advogado sustenta que as famílias dos funcionários estão sendo submetidas a um regime de cárcere privado. Eles tiveram seu direito de ir e vir cerceado, e às vezes nem podem exercer o seu trabalho, sendo vigiados e controlados de forma constante pelos sem-terra, conta o advogado.
As denúncias foram contestadas ontem pelo advogado Elso Bittencourt, que presta assistência ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região de Ivaiporã. Tanto a sede da fazenda como o escritório estão intactos e, inclusive, trancados, garante Bittencourt, assinalando que não houve saque, nem depredação. Ele assegurou ainda que as famílias de trabalhadores têm livre acesso dentro da propriedade.


