Lucinéia Parra
O advogado Calisto Vendrame Sobrinho disse ontem que vai processar o Estado por abuso da Polícia Militar de Maringá. Ele representa os vigilantes Pedro Correia dos Santos, 30 anos, e José Neris de Souza, 34, acusados de participação na tentativa de roubo da agência Garcia Tur, no centro da cidade. A tentativa de roubo foi praticada pelo ex-presidiário Ronaldo Lemes, 32, segunda-feira, por volta das 11h30.
Lemes usava uma pistola de brinquedo mas acabou desistindo do assalto, porque uma cliente da loja, assustada, começou a gritar por socorro. Lemes fugiu do local mas foi capturado minutos depois por policiais do Tático Móvel, grupo de elite do 4º Batalhão da Polícia Militar. Antes de ser encaminhado para a 9ª Subdelegacia de Maringá, Lemes teria confessado aos PMs que tinha planejado o roubo com auxílio de Pedro Correia dos Santos e José Neris de Souza, funcionários da Pires Segurança, de Londrina.
Os dois acusados por Lemes foram presos na tarde de segunda-feira pela mesma equipe de policiais militares. Conforme Sobrinho, os policiais prenderam os acusados sem nenhuma ordem judicial e sem nenhum indício de participação deles na tentativa de roubo. Lemes afirmou na delegacia que havia denunciado os vigilantes porque foi espancado pelos PMs. ‘‘Ou eu falava qualquer coisa para eles ou então morria de tanto apanhar’’, disse para o delegado Deoclécio Detros.
De acordo com o advogado, a denúncia de tortura pode ser comprovada pelo resultado do exame de corpo delito que revelou lesões no couro cabeluto, braços e abdômen do assaltante. ‘‘Vou esperar o inquérito da Polícia Civil ser concluído para entrar com ação contra o governo pelo abuso de poder da Polícia Militar. Também vou entrar com ação por danos morais aos meus clientes que eles estão sendo ameaçados de perder o emprego por causa da prisão’’, disse. Tanto Santos como Souza só foram colocados em liberdade terça-feira à tarde.
A atitude dos policiais militares do Grupo Tático Móvel, neste caso, desencadeou uma nova crise entre as Polícia Civil e Militar de Maringá. O delegado Deoclécio Detros chegou a afirmar, no início da semana, que iria indiciar os policiais militares envolvidos na operação por crime de usurpação de função e abuso de autoridade.

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