Advogado de usina nega descarte
O advogado da Usina de Álcool do grupo Dail S.A., Paulo César Bueno, negou à Folha que a empresa faça o descarte de vinhaça ao longo do rio Laranjinha. Segundo ele, a unidade adota um ''sistema de circuito fechado'' para tratamento dos resíduos. ''Isso significa que toda vinhaça é reutilizada. Temos 35 veículos para transportar o resíduo até as lavouras, onde é despejado como adubo'', afirmou Bueno.
A vinhaça é um composto rico em nutrientes, identificado como NPK (siglas dos elementos químicos Nitrogênio, Potássio e Fósforo), benéfico na lavoura mas extremamente prejudicial à fauna fluvial. A empresa reconhece a produção de 10 litros de vinhaça a cada 1.000 litros de álcool. A Dail faz a destilação de 200 mil a 300 mil litros de álcool por dia segundo dados da própria usina.
O advogado afirmou que foi desativada há três anos a ''área de sacrifício'' sistema de 20 represas a céu aberto onde a vinhaça era depositada. ''Acabamos com isso e estamos investindo na conservação das matas ciliares e represas para criação de peixes.'' O local das antigas represas, segundo ele, estão passando por processo de reflorestamento.
Sobre as fiscalizações dos órgãos ambientais, o advogado reconheceu que foram importantes para minorar os impactos causados sobre o rio Laranjinha e o subsolo da região. ''Houve termo de ajuste de conduta sim, foram feitos ajustes ao longo do tempo e hoje temos um sistema que garante 100% de respeito ao meio ambiente'', afirmou.
Bueno acrescentou que a empresa reutiliza toda a água usada na lavagem da cana operação que antecede a moagem. ''Tudo que existe ali misturado, de bagaço e sujeira, passa pelo processo de purificação em três lagoas específicas. Dá para contar nos dedos as usinas que tem um sistema moderno como o nosso''.
Sobre as investigações do Ministério Público, o advogado disse não acreditar que estejam prosperando. ''Qualquer coisa fora do que estou mostrando não é verdadeira'', concluiu.(F.C.)





