Advogado de motorista culpa pais por atropelamento de garoto
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2005
Camilla Rigi<br> Reportagem Local 
Não houve acordo entre o pai de um menino de 11 anos que foi atropelado em dezembro de 2003, na Zona Norte de Londrina, e o advogado de defesa do réu, Rivail Sérgio Martins. A primeira audiência do caso ocorreu na tarde de ontem na 1 Vara Cívil. O defensor do réu, Rodrigo Brum, alegou que o acidente foi uma fatalidade e que a culpa é dos pais que deixaram a criança se afastar mais de 1,5 quilômetros da casa, sem supervisão de um adulto.
No dia do atropelamento do garoto, a polícia realizou o teste com o bafômetro que apontou que Martins teria ingerido bebida alcóolica. O réu, que também é advogado, pagou a fiança de R$ 100,00 e foi colocado em liberdade. Segundo informações do juiz Mauro Henrique Ticianeli, há outros dois réus neste processo, a proprietária do veículo e a Companhia Municipal de Trânsito Urbanização (CMTU), que não teria sinalizado o local.
De acordo com informações do juiz, o menino estaria trafegando em uma parte da Saul Elkind que estava sendo duplicada. ''O que me disseram é que como não havia sinalização, o motorista dirigia pela via ainda em obras. E talvez por isso a criança não estivesse atenta ao movimento de veículos'', detalhou Ticianeli. Os pais da criança devem ser ouvidos em 10 dias. O juiz fará um levantamento do local e pedirá os laudos da época para confirmar as informações.
''Meu filho quebrou a bacia e o fêmur. Hoje precisa estar sempre acompanhado pois perdeu o equilíbrio e precisa de apoio para andar'', disse o pai da vítima, Lucas Macedo Ferreira. Após o acidente, o garoto ficou internado durante 36 dias, dos quais 18 foram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Infantil. ''O que queremos é uma reparação de danos, uma vez que gastamos R$ 450,00 por mês com o tratamento'', disse Ferreira. Ele também entrou com um processo criminal, devido ao fato do motorista estar embriagado.
O advogado de defesa questiona a validade do teste do bafômetro. ''O aparelho tem uma margem de erro de 15%, e o resultado do teste estava neste limite'', argumentou. Ele pediu uma perícia dos danos causados ao garoto. ''O meu cliente se compadece da situação, mas foi uma fatalidade. Pois ele nem estava dirigindo em alta velocidade'', declarou Brum. A versão da defesa é que o garoto estava brincando em um terreno baldio quando um amigo saiu correndo atrás dele e ele atravessou a rua sem olhar. O réu socorreu a vítima.
A pai da vítima ainda acredita que além dos danos físicos, o garoto possa ter sofrido danos mentais. ''Ele está com problemas cognitivos. Às vezes, não lembra o que fez minutos antes'', relatou.


