Advogado de cerealista desaparecido propõe acordo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de abril de 2001
Marta MedeirosDe Maringá 
O advogado Aloísio Marcotti propôs ontem um acordo para os agricultores que depositaram a soja mas não receberam do cerealista Agenor Dionízio Braga Filho, de Água Boa, distrito de Paiçandu (10 km a oeste de Maringá). Braga Filho está desaparecido desde a semana passada e teria lesado produtores rurais em mais de R$ 1 milhão. A fuga do cerealista está desesperando a comunidade que vive basicamente do cultivo da soja.
No domingo, mais de 200 pessoas teriam tentado invadir a casa da família de Braga Filho. Conforme a Polícia Militar, até ontem a situação ainda era tensa no distrito. Além da soja, produtores denunciaram ontem que o cerealista também tomava dinheiro emprestado a juros de 3% ao mês. A dívida de empréstimo seria de R$ 500 mil.
Marcotti contestou as informações de que a cerealista teria recebido 65 mil sacas de soja e a dívida seria superior a R$ 1 milhão. Segundo o advogado, são cerca de 60 produtores com depósito de 12 mil sacas. A tomada de dinheiro a juros, conforme o advogado, é de R$ 83 mil. O Agenor não teria suporte financeiro para pagar juros sobre R$ 500 mil ao mês, ressaltou o advogado. Marcotti contou que o cerealista ligou no domingo e teria dito que optou em fugir do distrito para dar um tempo e tentar tomar um fôlego da situação.
O advogado disse que pediu ontem aos agricultores que se organizem em comissões. Vamos analisar cada caso e propor parcelamento de dívida, afirmou Marcotti. O advogado avisou que pelo acordo será mais fácil tentar receber a dívida, mas que não irá poupar armas jurídicas para defender o cliente dos produtores que decidirem entrar na Justiça. Não dá para negar que terá gente que infelizmente irá perder tudo, comentou Marcotti.
A comunidade de Água Boa tem mais de 2 mil moradores. Agricultores temem um colapso financeiro no distrito por causa da quebra da cerealista. Segundo o produtor rural Cláudio Bigosinski, grande parte das famílias vive durante todo o ano da renda de 400 sacas, cerca de R$ 6,4 mil, e não chegaram a receber nada do cerealista. Nós estamos com dó dos pequenos que vão começar a passar fome, contou Bigosinski. Ele disse que verificou em cerealistas de Maringá que Braga Filho teria recebido o dinheiro da soja em depósito.
Marcotti não entrou em detalhes sobre a localização do cliente e disse que o cliente teria usado o dinheiro da venda da soja para quitar financiamentos feitos em bancos.


