Dezenas de entidades populares estiveram reunidas no sábado, em Cascavel, no reassentamento São Franciso de Assis, para prestar uma homenagem ao advogado Darci Frigo, da Pastoral da Terra, pela sua luta em defesa dos Diretos Humanos e das causas sociais e populares. Ele acaba de receber um prêmio da Fundação Robert Kennedy, nos Estados Unidos, por sua luta em defesa dos Diretos Humanos.
O advogado é o primeiro brasileiro a receber esta premiação e foi escolhido entre outros 30 nomes indicados em todo o mundo. Frigo foi aplaudido em pé no Capitólio, sede do Senado dos Estados Unidos. Em seu discurso teceu críticas sérias e duras à falta de políticas públicas e à concentração fundiária brasileira, ressaltando a importância dos movimentos sociais para a transformação desse modelo.
Demonstrando humildade, Frigo ressaltou que o mais importante não foi a premiação, mas sim os vários encontros realizados com autoridades americanas quando teve oportunidade de relatar os maiores problemas sociais do país e as falhas no modelo de reforma agrária.
O advogado acredita que uma das reuniões mais importantes aconteceu com membros do Banco Interamericano de Desenvolvimento que deverá enviar 200 milhões de dólares para o programa Banco da Terra do governo federal que investirá o mesmo valor em contrapartida. O programa estimula a venda de terras, com o proprietário recebendo o valor à vista, e o pequeno produtor financiando sua dívida em até 15 anos junto ao Banco do Brasil.
Frigo demonstrou sua posição contrária à modalidade adotada nesse programa, por considerar que se trata de uma ''reforma agrária de mercado''. Ele diz que as terras colocadas à venda, em sua maioria, são improdutivas.
Darci Frigo conclui que para haver paz no campo e democracia é preciso haver maior distribuição de renda. ''A sociedade americana pela primeira vez passa a se preocupar com os problemas sociais brasileiros. É preciso que os países ricos discutam os problemas de desigualdade do Terceiro Mundo'', explica.

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