Segundo o advogado da ONG Canaã (que representa os camelôs), Luiz Augusto Dutra, ter impedido os proprietários de acompanhar a apreensão das mercadorias foi apenas uma das ilegalidades cometidas na operação. ''Além disso, os mandados de busca e apreensão também foram genéricos, sem discriminar a loja ou a mercadoria. Simplesmente mandaram apreender tudo'', acrescentou. ''O correto seria notificar os comerciantes primeiro, exigindo que apresentassem a nota fiscal. Caso as notas não fossem apresentadas, aí sim as mercadorias poderiam ser apreendidas'', sugeriu.
Dutra informou que estuda medidas legais cabíveis e que os proprietários que se sentirem lesados podem procurar um advogado para entrar com um mandado de segurança e habeas corpus para reaver seus produtos. ''Eles agrediram princípios constitucionais. Pode-se apreender, mas não combater uma ilegalidade com outra ilegalidade.''
O delegado-chefe da Polícia Federal em Londrina, Kandy Takahashi, não quis comentar as declarações do advogado. Disse apenas que os lojistas ''tinham todo o direito a acompanhar a operação'' e que a polícia estava lá para dar segurança à Receita Federal, que fez os recolhimentos de mercadorias. Ainda segundo ele, a operação ''não ocorreu por provocação de qualquer associação. Foi um trabalho da PF e Receita, sensibilizado com o problema da pirataria em Londrina''.
O delegado da RF, Sérgio Gomes Nunes, rebateu a colocação dos ambulantes de que a ação teria sido ilegal. ''A primeira coisa que respaldou a operação foi o mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal. Lá diz que as mercadorias deveriam ser lacradas em caixas e os volumes estipulados para depois serem deslacrados. A nossa legislação também garante a lacração de toda mercadoria para posterior verificação. E naquele momento, (se fosse conferir item a item) poderia haver problemas de segurança para os fiscais da Receita e para os próprios lojistas'', argumentou. Ele lembrou que os ambulantes foram autorizados a participar da lacração das caixas mas apenas 90 acompanharam o trabalho.
As cerca de 2,5 mil caixas com produtos apreendidos lotaram nove caminhões-baú que seguiram para o depósito da Receita. Um carregamento valioso, estimado inicialmente em cerca de R$ 3 milhões (preços de custo). No início da semana que vem os proprietários das mercadorias que já foram agendados terão de comparecer à Receita para apresentar as notas de compra e demonstrar que estão em dia com o fisco. ''A operação foi fruto de uma investigação anterior e acredito que uma boa parte (dos donos) não vai se apresentar por conta de ilegalidade flagrante'', comentou o delegado. (Colaboraram Vanessa Navarro e Luciano Augusto)

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