O possível desmantelamento da Justiça do Trabalho estaria associado ao interesse do governo federal em reduzir custos das empresas internacionais que estão se instalando no Brasil. A avaliação é do advogado Orandi Almeida, vice-presidente do Instituto de Pesquisa e Aperfeiçoamento Jurídico (Ipajur) , que promove em Curitiba o simpósio ‘A reforma do direito do trabalho e da justiça do trabalho’, com participação de representantes do Tribunal Superior do Trabalho e de outras instâncias.
De acordo com Almeida, a redução de direitos e de instâncias do trabalho já estão tramitando no Congresso Nacional. Almeida assegura que a proposta de extinção do Tribunal Superior do Trabalho faz parte do acordo internacional do governo com o Fundo Monetário Internacional. ‘‘Se houvesse interesse de agilizar as ações trabalhistas haveria outro caminho, que não a criação de juizados especiais de causas trabalhistas’’, afirma. Hoje um processo em primeira instância demora um ano a um ano e meio para ser julgado. ‘‘E em todas as instâncias, o prazo varia de cinco a seis anos’’ informa.
Para o vice-presidente, os juizados especiais e as juntas de conciliação não funcionariam com eficácia. No caso das juntas, ele entende que haveria vícios em sua composição, já que os representantes dos trabalhadores não teriam estabilidade de emprego.
Orandi Almeida considera que, com a mudança no sistema, o empregado sairá perdendo ainda mais. ‘‘Hoje, a Justiça do Trabalho já favorece mais as empresas do que o funcionário’’, diz.

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