Advogado Bonfim tem novo julgamento hoje
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quinta-feira, 17 de abril de 1997
Lúcio Horta 
Os trabalhos do Júri Popular do Fórum de Londrina prosseguem hoje, a partir das 8h30, com o julgamento do advogado Adyr Nestor Bonfim e seu irmão José Bueno Bonfim. Adyr é acusado de matar Luiz Gonçalves Barbosa, na casa onde moravam.
Na sessão de ontem, Gilberto Gomes Ribeiro foi absolvido da acusação de tentativa de homicídio contra Antônio Barbosa de Assis, agredido a golpes de faca. O Ministério Público e a defesa consideraram que Gilberto agiu em legítima defesa.
O crime que será julgado hoje aconteceu no dia 14 de maio de 1994, na casa onde a vítima e o acusado moravam, no Vale do Reno (zona sul). Bonfim bateu violentamente contra a cabeça da vítima, com um objeto, e depois desferiu vários golpes de faca. Em seguida, tentou esconder o cadáver, levando-o para uma estrada secundária de Faxinal, onde ateou fogo no corpo. O irmão de Adyr, José Bueno, é acusado de ajudar a ocultar o cadáver.
Em depoimento à Polícia, o réu alegou ter cometido o crime porque sofria assédio sexual da vítima: ele estava dormindo quando foi surpreendido pela vítima, que estava nu, ajoelhado sobre sua cabeça.
Os dois já tinham sido julgados pelo mesmo crime em 1995, quando o advogado foi condenado por homicídio privilegiado, pegando sete anos de reclusão em regime semi-aberto e multa de R$ 1 mil. José Bueno, na ocasião, foi absolvido. Mas a Justiça considerou que houve erro processual e anulou o julgamento.
Segundo o promotor Janderson Iassaka, o motivo da anulação foi a não observância do quesito crueldade na avaliação do crime. Considerou-se apenas que o crime não foi fútil, já que o réu teria agido sob violenta emoção.
Um dos pontos que devem ser levantados pela acusação é que, segundo laudo pericial, Barbosa já estava praticamente morto depois dos golpes na cabeça, com traumatismo craniano. Ainda assim, o advogado atacou o corpo da vítima com várias facadas.
Se o crime for considerado homicídio qualificado, a pena de Adyr pode aumentar de 12 a 30 anos de prisão. Já no caso de ocultação de cadáver, a pena varia de um a três anos. Assim como no primeiro julgamento de Adyr e José Bonfim, hoje será utilizado o recurso de computação gráfica no julgamento para reconstituição do crime.


