Advogado acusa delegados e promotor por omissão
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sexta-feira, 04 de outubro de 2002
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O advogado Amadeu Geara, assistente de acusação do processo que investiga a morte do ex-diretor da Corretora Banestado de Seguro, Miguel Siqueira Donha, acusou ontem a Secretaria de Estado da Segurança e os delegados de polícia Fauze Salmen e Vanessa Alice que presidiram as investigações na Delegacia de Homicídios de omissão.
Ele também citou como omisso nas investigações do Ministério Público, o procurador Dartagnan Cadilhe Abilhôa, na época coordenador da Promotoria de Investigações Criminais (PIC). De acordo com Geara, ninguém se empenhou em descobrir os reais motivos da morte do empresário, que era presidente do diretório municipal do PPS e articulava uma frente de oposições para disputar a Prefeitura Municipal de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. Donha foi assassinado no dia 22 de janeiro de 2000.
Um ano e nove meses após a morte do empresário, a PIC (agora comandada pelo promotor Ramatis Fávero) conseguiu localizar o co-autor do assassinato, identificado apenas como ''José''. Ele está sob custódia do Ministério Público. José nunca foi encontrado pela Delegacia de Homicídios, apesar de ter sido citado durante o depoimento de Edson Faria, autor confesso do disparo que vitimou Donha. Faria disse, na época, que foi contratado para dar ''um susto'' em Donha. No entanto, o tiro disparado na perna do empresário, logo depois de um sequestro, resultou na morte dele por hemorragia interna. O depoimento dele reforçava a tese de crime político, difundido pelo PPS do Paraná e negado pelos delegados que presidiam o inquérito.
No dia 14 de fevereiro, Edson Farias se apresentou ao Ministério Público e à imprensa como sendo o autor do assassinato de Donha. Ele confessou que foi contratado por Antonio Martins Vidal, o ''Tico Pompílio'' (na ocasião guardião de uma escola municipal). Ele receberia como pagamento R$ 300,00 e um emprego na Prefeitura Municipal. Tico foi preso, mas as investigações não sustentaram sua prisão. Edson Farias conseguiu fugir da cadeia de Rio Branco do Sul numa viatura policial. O inquérito policial indiciou Faria por roubo e lesão corporal seguida de morte. ''O inquérito policial foi uma farsa. Por causa da omissão das autoridades na ocasião, o crime em Almirante Tamandaré ficou insustentável e as mortes de mulheres começaram a ocorrer com regularidade. Tudo envolvendo Tico e toda a quadrilha composta por políticos, policiais civis e militares'', salientou Geara.
No depoimento, Faria disse ainda que Tico teria um patrão, responsável pela contração dele e de José. Na época, ele era funcionário da prefeitura e subordinado ao vereador Aldair de Souza, o ''Dário'', chefe de segurança. De qualquer forma, Tico seria ligado a Azemir João de Barros, conhecido como Azemir Manfron, irmão do prefeito Cezar Manfron. Azemir foi citado também no inquérito que investiga as mortes de mulheres em Tamandaré. ''O Azemir, para mim, foi o intermediário da contratação. Mas tinha alguém acima dele. De qualquer forma, o sangue de Donha manchou a Prefeitura de Almirante Tamandaré'', complementou.


