Um agente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) foi acusado de abuso de autoridade após se desentender com um advogado e a família dele, na tarde de ontem (22), na Zona Sul de Londrina. Segundo o advogado da família, Mario Alves Cardoso, eles irão representar ação judicial contra o agente Hugo Costetti por constrangimento ilegal e assédio moral contra o advogado Gerson de Oliveira, 31 anos.

Conforme Cardoso, a situação se originou quando o advogado retornava para a casa dos pais, que fica na Rua Bento Munhoz da Rocha Neto, no Parque Guanabara. Aos fins de semana, esta via é bloqueada pela CMTU para atividades de lazer nas redondezas do Lago Igapó II.

Segundo a mãe do rapaz, Vera Lucia Bahl de Oliveira, Gerson teria ultrapassado o bloqueio para deixar o pai, Paulo Roberto de Oliveira, de 65 anos, na porta de casa. Vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), Oliveira tem problemas de locomoção. Neste momento, o agente teria encostado a viatura da CMTU junto ao veículo da família e bloqueado a saída do idoso, que estava com dificuldades em deixar o automóvel.

"Foi muito humilhante, o agente começou a ficar irritado com a demora e questionou meu filho. Quando ele saiu com o carro, o agente o seguiu com a viatura como se o tivesse escoltando. E no primeiro questionamento de Gerson, ele derrapou com o veículo, bloqueou a passagem do carro e deu voz de prisão por desacato à autoridade", contou Vera, destacando que a família retornava da comemoração de aniversário de 26 anos de casamento do casal.

A mãe do advogado, professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), disse que após o ocorrido, por volta das 16h, outras quatro viaturas e duas motocicletas da CMTU e dois guardas municipais chegaram ao local. Na confusão, o pai de Gerson sentiu-se mal e precisou ser internado na Santa Casa de Londrina.

Já na delegacia, Costetti entrou com uma representação contra Gerson por desacato a autoridade ao mesmo tempo em que o advogado da família representava contra o agente. Segundo Cardoso, o advogado de plantão decidiu ouvir apenas os depoimentos do agente da CMTU e de uma testemunha que passava pelas imediações do Lago Igapó II no momento da confusão e disse ter assisitido tudo.

O presidente da CMTU, André Nadai, disse que há dois anos acontece o bloqueio das ruas ao redor do Igapó, aos domingos, para a atividade "Rua do Recreio" e que os agentes permanecem no local para orientar os moradores a não permanecer ali com os veículos.

"Quem mora na região, pode passar pelo bloqueio para deixar familiares idosos ou para acesso às suas residências. No primeiro caso, os agentes orientam a retirar o veículo pela próxima via liberada. Não há multas, somente a orientação", explicou Nadai.

"No caso de ontem, o agente não estava próximo quando o rapaz entrou na rua e foi até ele para informar que não ele poderia permacer no local, momento em que ocorreu o desentendimento", relatou Nadai.

Segundo ele, o agente teria se sentido desacatado e não precisaria da autorização de um superior para realizar uma representação legal contra o motorista. "É uma situação pessoal, em que o agente se sentiu ofendido, e deve prosseguir em desdobramentos judiciais", completou Nadai.

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