Adultos vão ao cyber para ver pornografia
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sábado, 11 de novembro de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Três e meia da tarde de uma quarta-feira e um jovem senhor vê páginas de conteúdo pornográfico na internet, em um estabelecimento no Centro de Londrina, onde as pessoas pagam para acessar a rede mundial de computadores. Não se incomoda (ou pelo menos não demonstra) com a possibilidade de ser visto, seja por quem passa, pela moça que está ao seu lado na outra máquina ou por alguns adolescentes que, no computador de trás, checavam se tinham recados no Orkut.
A cena, com tom literário aqui, nada tem de poesia no cotidiano e é recorrente em muitos lugares da cidade. Num dos shoppings, uma atendente - que não quis se identificar - revela: ''Se chegar aqui e pedir para sentar em um computador mais reservado, com certeza é para ver pornografia. Só que aqui a gente proíbe. Tem um programa que controla e restringe o acesso. Mesmo assim, toda tarde vem alguém''.
A reportagem percorreu os principais cybers do quadrilátero central e identificou que mesmo não havendo pessoas acessando conteúdo adulto durante algumas horas do dia, no histórico da internet dos computadores há vários registros destas páginas. O proprietário de uma lan house na Região Oeste, Luis Cláudio Ferreira, esclarece: ''Todo dia vêm jovens e adultos aqui. A molecada vem para jogar, eles vêm ver e-mails e acabam entrando em sites pornôs''.
Ele explica que instalou um programa no computador central que controla o que as pessoas estão vendo e, quando percebe que há um adulto acessando material erótico, envia um recado virtual e bloqueia a página. ''Eu só libero se percebo que realmente é maior de idade, que não há crianças por perto e que não está vendo sites de pedofilia ou coisas que acho inaceitável'', argumenta.
Outro proprietário de cybers, Rogério Porfírio, além do bloqueador de páginas eróticas, tentou outras alternativas. ''Em uma das minhas lojas, montei uma sala reservada para adultos. Naquelas máquinas é liberado ver o que quiser. Outra coisa que fiz foi montar quatro computadores ligados à internet dentro da minha locadora de vídeo erótico, só que lá não deu movimento'', diz.
Ele identifica que os homens são maioria na sala reservada aos adultos - mulheres são apenas 5% - e que frequentam em horários de almoço ou durante a tarde. ''À noite eles têm que ficar com a esposa, né? Não acho que elas saibam que eles vêm aqui'', arrisca. Ferreira ainda acrescenta: ''Muitos acessam páginas com conteúdos bizarros. Acho que têm uma curiosidade e aqui conseguem matá-la''.
Ambos aparentam lidar com tais situações com naturalidade, mas enfatizam que são firmes ao proibir páginas com conteúdo erótico aos menores de idade e ao coibir qualquer constrangimento às crianças e adolescentes. Eles asseguraram à reportagem da FOLHA que exigem uma autorização escrita dos pais, que deve ser preenchida na frente deles. ''Adulto é que procura conteúdo adulto, por isso a gente sabe que precisa cuidar para que nenhum homem ou mulher ofenda uma criança ao ver estes sites'', garante Ferreira.


