Albari RosaElza: volta aos bancos escolares para incentivar os filhos a estudarDepois de 24 anos longe da escola, a cozinheira Elza Rita Gonçalves Cordeiro, de 43 anos, voltou a frequentar este ano a 6ª série, numa escola no Bairro Novo, em Curitiba. Elza tem um bom motivo para recomeçar a vida escolar: quer estimular e ‘‘vigiar’’ os dois filhos, de 16 e 18 anos, que reprovaram dois anos consecutivos e estavam prestes a desistir dos estudos. Com a iniciativa, ela passa a ser contada entre as mais de 300 mil pessoas com mais de 14 anos atendidas por programas de educação de jovens e adultos no Paraná.
O esforço para levar a educação a essa população reúne Estado, municípios, organizações não governamentais e iniciativas da rede privada. Mas ainda está longe de acabar com o analfabetismo. Segundo o IBGE, existem no Paraná 692 mil pessoas com mais de 15 anos de idade que têm menos de um ano de instrução.
A meta da Secretaria da Educação é atingir, a cada ano, no mínimo mais 5% dessa população. ‘‘É inviável acabar com o problema de uma hora para outra’’, diz a chefe do Departamento de Educação de Jovens e Adultos, Regina Alegro.
O Estado mantém mais de 20 projetos voltados para a educação de jovens e adultos. Desde os tradicionais supletivos até programas especiais, para trabalhadores sem-terra, operários, bóias-frias e grupos religiosos. ‘‘Há adultos que se constrangem em ir até a escola, por isso estamos procurando novas alternativas’’, diz Regina.
Em Curitiba, o programa municipal de educação de jovens e adultos atendeu no ano passado 6.736 pessoas. As turmas têm características especiais: não há reprovação, o tempo de conclusão varia conforme o aproveitamento e o aluno pode desistir e voltar quantas vezes quiser. ‘‘São formas de atender as necessidades do aluno trabalhador’’, diz a chefe do Serviço de Ensino Fundamental de Jovens e Adultos, Elizabeth Naizer. A grande circulação de alunos é um dos problemas nessa faixa. Nos programas do Estado, a evasão está em torno de 30%.
Foi porque precisou trabalhar que, aos 19 anos, a cozinheira Elza Cordeiro abandonou a escola e o sonho de ser professora. ‘‘Nunca tive nota menor que 95 e agora desafiei meus filhos a tirarem notas melhores que as minhas’’, conta. Elza e o filho Luiz Gustavo, de 16 anos, frequentam a 6ª série. Wagner, 18, está na 7ª. ‘‘Sei que sem estudo eles não vão conseguir trabalho e a única maneira que encontrei de conscientizá-los foi dando o exemplo’’, diz.

mockup