Adultério nem sempre leva à separação
Dia 20 de novembro de 1997, 19 horas. Motel Leton, bairro Uberaba, Curitiba. Um casal nu. Um homem acompanhado da polícia. Um flagrante, como se diz no jargão dos detetives. No dia seguinte o canal CNT mostrava na televisão a imagem do caso. O marido traído não teve escolha a não ser pedir a separação judicial, por mais que amasse a mulher. Ele é um em 100. De cada 100 casos em que é feito o flagrante, em 99 o casal acaba não desmanchando o casamento, confirma o detetive Marcos Vinícius Turbay.
Segundo ele, o adúltero leva um choque com o flagrante e retoma a consciência. Surge então o que Turbay chama de espírito conciliador. A gente acalma o cara, diz. Outro fato, este determinante para a não separação, é que a maioria absoluta dos clientes de detetives são de classe alta. O dinheiro e a pressão moral da sociedade, segundo o detetive, complicam o divórcio. Os casais acabam mantendo casamentos de aparência.
Para a professora de Psicologia Social e Personalidade Catarina Gewehr, da Universidade Federal do Paraná, o fato de os casais continuarem juntos pode estar ligado a uma compensação psicológica. Catarina acredita que, ao contratar um detetive, a pessoa já começa a lidar com a possibilidade da traição. A pessoa avalia o que tem a perder e a ganhar com o fim do relacionamento.





