Os galhos resultantes de podas em Londrina estão voltando à natureza na forma de adubo. A Central de Galhos, localizada na Fazenda Refúgio (zona sul) e comandada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), tritura os galhos que ainda estão verdes produzindo 480 toneladas de adubo vegetal ao ano.
O fertilizante originado desses galhos é utilizado em hortas e jardins com ótimos resultados. A Organização Não-Governamental (ONG) A Missão, do Jardim João Turquino (zona oeste), recebe o adubo e distribui entre seus associados para utilizar em suas casas. As plantas do Zerinho, no centro da cidade, também receberam auxílio dos galhos triturados asssim como uma creche da Vila Ricardo e duas escolas estaduais.
Na Escola Estadual Professor Lauro Gomes da Veiga Pessoa, localizada no Conjunto Maria Cecília (zona norte), os alunos das 7 e 8 séries participam do projeto ``O paisagismo e as formas ornamentais da geometria``. Um jardim foi montado na escola em formas geométricas e com a participação dos alunos. O projeto foi lançado ontem, com exposição de cartazes e embalagens produzidas pelos alunos. O diretor auxiliar, Fernando Oliveira, expõe que o objetivo desse trabalho é ``a integração entre os alunos e as disciplinas e serve também para pôr em prática os conteúdos estudados``. Na matemática, eles estudam as formas geométricas; em ciências, os tipos de solo e a utilização do adubo e, em educação artística, os mosaicos.
O jardim foi todo montado com o adubo dos galhos. ``Não foi usado nada de adubo químico``, disse Oliveira, que também é engenheiro agrônomo. Segundo ele, esse adubo auxilia na aeração do solo, na microflora da terra e é facilmente incorporado ao solo. Além disso, é bom para trabalhar, transportar e armazenar, ``ele não tem cheiro desagradável``, destacou.
Os alunos aderiram em massa ao projeto. Alexandre Carinatto, de 15 anos e cursando a 8 série argumentou: ``quem não gosta de mexer com terra?``. Segundo ele, ``ficou mais fácil de entender as formas geométricas com o jardim``. Vinícius Leonardo de Oliveira, 14 anos e também da 8série, conta que os alunos visitaram a Fazenda Refúgio para ver como o adubo era feito. ``Eles ensinaram a fazer muda nos saquinhos para manter a umidade da terra``, lembrou. Para o próximo ano, a escola pretende reativar uma horta e construir outro jardim utilizando o adubo das árvores.
O secretário do Meio Ambiente, João Mendonça, afirma que, ao mês, são abatidas entre 300 e 400 árvores e outras duas mil passam por podas. O resto do material triturado, cerca de 40%, vem da população que realiza as podas e encaminha os galhos e troncos para a central. Ricardo Carrato ressalta que muito material está sendo perdido pela falta de efetivo, ``estamos com quatro funcionários mas precisaríamos de mais quatro. Estamos aguardando orientações da CMTU para ver como vamos fazer``, disse.
Carrato explica que o adubo é direcionado à orgãos públicos e ONGs e que não é distribuído para terceiros. O material é distribuído de acordo com o pedido desses locais.

mockup