Dorico da SilvaAdriana Xavier, 26 anos, três filhos: infectada pelo maridoAdriana Xavier, 26 anos, é soropositiva e uma das dezenas de pessoas de Londrina que necessita de medicamentos para prevenir e tratar doenças oportunistas. Segundo ela, há cerca de um ano teve de parar de tomar alguns remédios e está sentindo os efeitos. ‘‘Eu sinto fraqueza e estou com anemia’’, relata.
Além disso, Adriana sente também que a paralisia no seu corpo se acentuou porque não está tomando sulfadiazina há seis meses. O medicamento é necessário para tratar a neurotoxoplasmose (doença que pode comprometer o sistema nervoso). ‘‘Uma pessoa que não tem dinheiro nem para comprar alimentos em casa não tem condições de comprar estes remédios’’, ressalta. Segundo ela, mensalmente, os três medicamentos profiláticos custam mais de R$ 300,00.
Separada e com três filhos (de 11, 10 e 9 anos), Adriana ficou sabendo que é portadora do vírus HIV há cerca de três anos, quando ficou doente. Foi no hospital que o médico, desconfiado, providenciou o exame e constatou a doença. ‘‘Eu perguntei se era possível pegar Aids no dentista, porque achava que esta era a única possibilidade. Eu casei com o primeiro namorado e não usava drogas’’, lembra. Depois, ela ficou sabendo que foi infectada pelo marido.
Impossibilitada de trabalhar por causa da paralisia (antes era empregada doméstica), Adriana depende da ajuda dos amigos e parentes para sobreviver e sustentar os três filhos. Atualmente, ela trabalha como voluntária no grupo Reagir. ‘‘Às vezes dá desespero. Eu trabalhei a vida toda e agora fico dependendo de uma sociedade hipócrita, que acha que a Aids é uma doença dos outros, que só atinge usuários de drogas e prostitutas.’’ (L.O.)

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