Maringá - Quinta-feira à noite, véspera de feriado de 7 de Setembro, a Avenida Morangueira, na saída de Maringá para a PR-317, está cheia: mais de mil pessoas se dividem dos dois lados da pista e disputam espaço com os carros e caminhões que tentam passar pela via. Muitos estão ali por causa de uma festa que acontece em uma chácara à beira da rodovia, mas uma boa parcela da multidão, e também a equipe da FOLHA, está no local por outro motivo: acompanhar as corridas de moto, os populares rachas.
As disputas, segundo moradores da cidade, já se tornaram rotina nos fins de semana. Os participantes, na maioria homens entre 18 e 30 anos, se reúnem em alguns postos de combustíveis localizados na Avenida Colombo e de lá partem para a rodovia. Em alta velocidade, eles se exibem com movimentos perigosos e manobras arriscadas. Centenas de carros também se juntam no acostamento para acompanhar o 'show'. São eles os responsáveis por trazer a bebida em caixas de isopor e a música da 'festa', que de tão variada se transforma em uma confusão sonora de vários decibéis.
Um dos participantes, Gustavo, 23 anos, afirma que corre desde os 18 e que os rachas são bastante populares. ''A cidade inteira faz isso, é muita gente que participa e tem muitos que vêm para assistir'', garante. Mas o que leva tantos jovens a se arriscar em cima de uma moto? A resposta é quase óbvia. ''A gente corre pela adrenalina, pelo divertimento. Eu trabalho a semana inteira e venho para cá me divertir'', completa.
Além de arriscado, o divertimento custa caro. De acordo com os jovens entrevistados, quase todas as motos são adaptadas para alcançar mais velocidade. ''Geralmente o pessoal troca pistão, comando e gira-brequinho, coloca um pneu mais fino. Para fazer tudo, tem de gastar cerca de R$ 1 mil. Uma moto, que normalmente chega a 140 (km/hora), com essas mudanças alcança 190. Quase todo mundo que corre faz isso'', garante um outro participante, Ronaldo, 19 anos.
Para facilitar o trabalho do motor e conseguir correr mais, os ''racheiros'' (como eles se definem) andam deitados nas motos, evitando dessa maneira um atrito maior com o ar. ''A gente troca de marcha com a mão. Ter uma moto bem preparada ajuda muito, mas o cara tem de saber pilotar. Não pode ter medo de correr e precisa ter experiência'', ensina Ronaldo.
Até para assistir às corridas é preciso deixar o medo de lado. Com tantos carros e motos estacionados, a sensação é que em algum momento uma das motocicletas vai invadir o acostamento e causar um acidente. Enquanto nossa equipe acompanha os rachas, uma ambulância chega e socorre um rapaz. Segundo os amigos, o ferimento na cabeça foi causado por um escorregão. Impossível não desconfiar da justificativa.
''Às vezes acontecem acidentes e já vi um que foi bem sério. Isso acontece porque a gente tem de correr na rua, sem segurança nenhuma. Não entendo por que a prefeitura não libera a pista do antigo aeroporto. O pessoal que corre de kart usa a pista e a gente não pode. Nem que eles cobrassem um valor para entrar...'', questiona Gustavo.
Se eles sabem que a atividade é ilegal? Sim. Quando precisam resolver algum problema junto ao Detran, recorrem aos despachantes. ''Como as motos são modificadas, a gente não pode levar lá. Se a polícia vê, apreende a moto na certa. Mas a gente gosta de correr e continua, mesmo assim'', explica Rodolfo. E a polícia aparece com frequência. Nessa hora, Gustavo afirma que cada um foge para um lado. ''Tenho medo de perder a moto porque preciso dela para trabalhar, mas depois que a gente começa a correr, não pára mais.''

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