Apesar de estar há apenas um ano e meio no Siate, o soldado Rodrigo Morande Becker também já vivenciou momentos que o deixaram bastante abalado. Seguro de como deve proceder em cada atendimento, Becker, que é formado em Psicologia e atualmente faz mestrado em Análise do Comportamento, consegue sentir em dobro como é vivenciar a rotina de um socorrista.
''Existem várias situações que podem somar com o estresse do dia a dia e desencadear outros problemas. Pode ser a somatória de horas de sono perdido, a adrenalina na hora que toca o alarme, problemas pessoais etc. Isso tudo vai depender de cada um'', explica.
Para Becker, o desempenho das pessoas pode depender da forma como ele vê o mundo, fazendo com que o nível de estresse seja maior ou menor. ''Para uma pessoa o sinal vermelho no trânsito pode significar uma forma de atrasá-lo ainda mais, para outros é um regulador que ajuda no tráfego dos veículos. Quando a pessoa passa a se conhecer, pode conseguir se controlar'', completa.
Ainda segundo o socorrista, pior do que ver pessoas feridas, é ver famílias desestruturadas socialmente e perceber que ele, somente como socorrista, pouco pode fazer para ajudá-las. ''Esse tipo de coisa realmente me abala, mas eu procuro fazer coisas que gosto para aliviar a tensão, como estudar, e não levar pra casa os problemas vivenciados no trabalho.''
Para o responsável do setor operacional do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros, capitão Wilson Oliveira Paulino, é ''importantíssimo'' que os bombeiros procurem alguma outra atividade para amenizar o impacto que as ocorrências causam todos os dias. ''Quando o sinal toca aqui, por mais leve que seja a ocorrência, algum trauma aconteceu ou, no mínimo, algum prejuízo alguém teve. Pode ser uma casa incendiada, alguém gravemente ferido. Claro que é uma questão muito pessoal, alguns socorristas são mais sensíveis que outros, mas procurar ajuda quando perceber que não está aguentando mais é muito importante'', destaca. (F.B.)

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