É difícil resistir a uma carinha fofa, pequena e peluda. Quem nunca teve vontade ou até mesmo comprou ou adotou um filhote de cão ou gato por impulso? O problema é que muitas pessoas não têm ideia das reais necessidades de um animal e só vão se dar conta quando já levaram o mascote para casa. Algumas recomendações do médico veterinário, como vacinação e vermifugação, são essenciais para a boa saúde do pet.
A coordenadora do curso de Medicina Veterinária da UniFil, Maíra Salomão Fortes, responde às principais dúvidas que os proprietários de primeira viagem costumam ter.
- Como escolher o melhor animal?
Você tem que avaliar se mora em casa ou apartamento, se o animal é mais quieto ou mais agitado. Se você tem criança em casa não deve pegar animal muito pequeno, porque elas acabam jogando sem querer, e aí temos muita fratura. O animal pequeno não é sinônimo de animal calmo, algumas raças pequenas não são indicadas para apartamento, por serem agitadas. Se é um casal de idosos, que vai sair para passear uma vez por dia ou a cada dois dias, deve escolher um animal de médio porte, mais tranquilo. Se tem criança, gosta de correr, é um outro tipo. Nas feiras de adoção é possível observar o comportamento do animal antes de fazer a escolha. Até por esse motivo adotar um adulto é uma boa opção, porque você já consegue ter ideia do tamanho e do comportamento.
- A ração é o suficiente para o animal?
Uma ração premium ou super premium boa é o suficiente, porque tem todos os nutrientes e vitaminas. Se o animal for filhote recomendamos uma ração de filhote, até um ano de idade. Depois disso deve-se dar ração de adulto.
- A fêmea prenhe ou depois do parto precisa de suplementação?
Normalmente fazemos uma suplementação com vitaminas, a não ser que o animal seja desnutrido. Neste caso fazemos um tratamento diferenciado, com as rações de latinha.
- Essas rações de latinha são indicadas para qualquer animal? Podem causar tártaro?
A ração seca ajuda na limpeza dos dentes. A ração úmida indicamos dar duas vezes na semana, pura ou misturada na ração.
- Petiscos são permitidos?
Alguns petiscos são muito gordurosos. Indicamos no máximo um palitinho ou ossinho uma vez por semana, só para agradar. Mesmo o osso de couro, aquele com nozinhos na ponta, não deve ser deixado à vontade para os animais.
- O que é o ideal para a limpeza dos dentes? Podem ser usados brinquedos?
A escovação é o ideal, temos pastas e escovas especiais para animais, mas se quiser dar algum brinquedo, não tem problema. O que recomendamos é que não seja muito pequeno para ser engolido.
- Como é o procedimento para limpeza de tártaro dos dentes de cães e gatos?
É feita anestesia geral. Toda anestesia tem um risco, por isso todo animal que vai ser anestesiado passa por uma avaliação para ver o risco cardíaco e respiratório. O mais complicado são animais idosos ou cardiopatas.
- Qual deve ser a frequência de troca da areia da caixa sanitária dos gatos?
Não se deve deixar a caixa muito tempo suja, porque o gato é um animal mais limpo. Deve-se retirar as fezes pelo menos uma vez ao dia e trocar a areia uma vez por semana ou no máximo a cada 15 dias. Eles também gostam mais de água corrente, inclusive esperam você abrir a torneira para tomar água. A troca de água do gato deve ser mais frequente também.
- Qual o prazo ideal para dar vermífugo?
Orientamos que seja feito uma vez a cada seis meses ou uma vez ao ano. O ideal é que seja feito exame de fezes antes da indicação do vermífugo, porque é possível ver a carga de parasitas que o animal tem - e se tem. O animal que tem acesso à rua tem mais chances de ter.
- A vacina deve ser aplicada uma vez por ano mesmo em animais que não tem acesso à rua?
Sim, porque você pode ter um vizinho que tem um animal com o vírus; e por mais que seu animal seja de apartamento, ele pode adquirir a doença. Mesmo que ele tenha tomado vários anos, a imunidade não é permanente. As vacinas que usamos hoje em dia devem ser aplicadas uma vez ao ano. Alguns médicos veterinários indicam a vacina para leptospirose a cada seis meses, mas para regiões endêmicas, o que não é o caso de Londrina.
- Qual o melhor momento para fazer a castração?
Quando o animal é castrado antes do primeiro cio, o índice de câncer reduz até 70%. O câncer, além de ser genético, é hormônio-dependente. Então, se o animal não entrou no cio, não teve a mudança hormonal, diminue bastante esse índice.
- O macho castrado deixa de marcar território?
Não é 100% garantido que ele vá mudar o comportamento, cerca de 60% a 70% mudam e deixa de marcar. A castração diminue o risco de câncer de próstata, que é bem grande em animais idosos. A castração das fêmeas é indicada para quem não quer ter crias, nem o incômodo do cio, e para diminuir a incidência de câncer de mama, que hoje em dia é uma das cirurgias que mais fazemos.

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