O policial civil Airton Adonsk Júnior, um dos nove acusados pela morte do estudante Rafael Zanella numa abordagem policial, negou ontem ter responsabilidade no crime. O depoimento de Adonsk começou pela manhã e se prolongou até a tarde, no primeiro dia de seu julgamento. O advogado de defesa, Edson Stadler, acusou o delegado Maurício Fowler de ter forjado todo o caso. ‘‘Ele (Adonsk) não contribuiu com nada e se recusou para assinar o flagrante’’, afirmou o advogado. No depoimento ao juiz Luiz Zarpellon, Adonsk disse que só não revelou isso antes porque sofria pressões de Fowler. ‘‘Estava sob coação’’, disse.
A sessão começou às 9 horas de ontem no Tribunal do Júri, e Curitiba, e teria previsão para acabar por volta das 23 horas. Para hoje foram programados os depoimentos das testemunhas de acusação e da defesa, se a leitura dos 12 volumes do processo, de 2.100 páginas fosse concluída ainda ontem. O policial civil Airton Adonsk Júnior foi o primeiro dos nove acusados a sentar no banco dos réus. Ele é acusado de forjar um flagrante de drogas contra o estudante Rafael Zanella, 20 anos, morto com um tiro na cabeça numa abordagem policial, no bairro Santa Felicidade, em 28 de maio do ano passado.
O empresário e pai de Rafael, César Antônio Zanella, considerou o início do julgamento uma ‘‘vitória’’. ‘‘Lançamos uma bandeira em nome do Rafael para tentar inibir essa truculência da polícia’’, afirmou. Ao mesmo tempo em que pede justiça para os matadores de seu filho, o empresário diz que ‘‘cadeia não irá trazer o Rafael de volta’’. Ele espera que todos os nove acusados ‘‘sentem no banco dos réus para prestar contas à sociedade’’.
O advogado de Adonsk, Nelson Stadler, se mostrou preocupado com a possibilidade do julgamento avançar até segunda-feira. O advogado teme que os jurados sejam liberados para votar no domingo, fazendo com que eles estejam em contato com ‘‘terceiros’’, o que não é permitido. ‘‘Isso pode causar a nulidade do julgamento’’, disse.
Stadler disse que acredita que as testemunhas de acusação e defesa não sejam ouvidas hoje. Ele justificou que a leitura do processo só terminaria esta tarde, estendendo o resultado do julgamento para domingo ou segunda-feira e não para sábado como é aguardado.

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