As seis crianças e adolescentes suspeitas de ter participado do espancamento de João Ângelo Prestes de Oliveira, 37 anos, em Piraí do Sul (75 km ao norte de Ponta Grossa), retornaram ontem às aulas na Escola Rivadávia Vargas. João Ângelo teve hipotermia - queda acentuada da temperatura - e foi encontrado morto na manhã do dia 21 de junho. Como as crianças confessaram que tiraram toda a roupa de Oliveira e o molharam, a polícia suspeita que a ação delas possa ter provocado a morte. Os menores também confessaram à delegada Bianca Macedo que violentaram sexualmente a vítima.
O diretor da escola, Hélio Saldanha, fez uma reunião ontem com os pais das crianças supostamente envolvidas, pedindo para que elas continuem frequentando a escola normalmente. ‘‘A gente fica preocupado até com a integridade deles, mas enquanto não houver um julgamento, a escola não pode tomar nenhuma atitude’’, disse.
Saldanha conta que existem boatos na cidade de que os pais de outras crianças que frequentam a escola estariam se organizando para pedir a expulsão dos alunos. Em função desses boatos, o promotor Cássio Honoratto de Mattos deve fazer uma reunião com a comunidade escolar entre hoje e amanhã, para tentar acalmar a situação. ‘‘Mais um pouco e estaremos fazendo uma caça às bruxas aqui em Pira풒, reclamou o promotor.
Segundo ele, embora o nome das crianças não tenha sido divulgado oficialmente, a comunidade acredita saber quem são os menores. ‘‘Eu moro aqui só há um ano e já conheço metade da população pelo nome. Em cidade pequena não precisa da versão oficial para a fofoca correr solta’’, conta.
Ele está preocupado com o ‘‘rótulo’’ que essas crianças possam sofrer, mesmo sem nenhuma comprovação a respeito da participação delas no caso. ‘‘Uma notícia dessas numa cidade pequena tem um efeito devastador’’, considera.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML), que a delegada Bianca Macedo esperava para ontem, deve ficar pronto somente em dez dias. As autoridades optaram por não falar mais no caso enquanto não tiverem o documento em mãos. ‘‘Eu acredito que no laudo não haverá nenhuma informação além da que já conhecemos, que é a da morte causada por hipotermia’’, disse o promotor.
Ele espera reunir todas as informações que precisa até o final deste mês.

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