Sequestros-relâmpagos, roubos e homicídios praticados de maneira fria e covarde. Notícias como essas poderiam ser menos assustadoras se não envolvessem adolescentes, menores de 18 anos, protagonistas de crimes que tem ocorrido diariamente em Londrina e região. Essas ações começam a levantar uma antiga polêmica: menores devem receber penas mais severas? O que deve ser feito para que eles possam ficar mais distante do mundo do crime?
Os números revelam que a cada dia mais e mais adolescentes acabam sendo mandados para centros especializados. Com capacidade para 51, o Centro de Sócio-Educação de Londrina Educandário abriga atualmente 60 adolescentes. Já o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) de Londrina, que tem capacidade para 36 jovens, abriga 80. O índice de reincidência é de 35%, ou seja, vários dos que passam pelo local acabam voltando a cometer outro delito.
Para o diretor interino do Ciaadi, Nilson Domingues, esse número é frustrante e ele atribui a reincidência à falta de oportunidades que o adolescente se depara quando volta para sua casa. ''Por mais que ele tenha um acompanhamento, por meio de projetos, essa demanda está aumentando muito. Esse adolescente sai e volta a se envolver em algum crime. Tem muitos que mudam e isso pra nós é gratificante'', disse.
Pessoas que lidam diretamente com estes adolescentes continuam apostando na capacidade de mudança de comportamento dos jovens. A coordenadora do Projeto Murialdo que atende jovens infratores em cumprimento de medidas sócioeducativas , Jaqueline Micali, acredita que os resultados do projeto são uma prova de que a atenção dispensada ao jovem infrator é essencial para a diminuição da reincidência. ''Só 4% dos meninos que estão prestando serviços à comunidade voltam ao crime. Não é só penalizar, esses adolescentes precisam de mecanismos de prevenção. Não temos políticas públicas como em países desenvolvidos, por isso, se não houver um trabalho preventivo, esses crimes vão continuar acontecendo'', salientou Jaqueline.
Para a presidente do Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp), Telma Alves de Oliveira, três grandes fatores contribuem para que o adolescente venha praticar um crime: desigualdade social; crise de valores éticos e morais e o papel da família do menor, onde muitas, segundo ela, acabam não dando conta de educar esse jovem. ''É um equívoco, um absurdo discutir penas mais rigorosas para o menor. O Estado é que deve resolver os problemas deste adolescente, por meio de políticas públicas'', ressaltou.
Apesar de concordar com a opinião da presidente do Iasp, de que o Estado não tem proporcionado condições para manter o menor fora da criminalidade, o delegado da área, William Douglas Soares, ainda acredita que os jovens deveriam ter penas mais severas. Na opnião dele, a sociedade tem que se mobilizar para que algo seja mudado. ''Acho um absurdo um menor que entra na sua casa, coloca a arma na sua cabeça, ameaça sua filha e fica só 32 dias preso. Um maior que é preso nas mesmas condições é condenado, no mínimo, por quatro, cinco anos'', disse.
Para o delegado, é preciso que seja feita uma discussão sobre o assunto com seriedade, pois se este adolescente for uma ameaça para a sociedade, deve ficar encarcerado. ''Para mim, essa questão de que menor sempre comete algum delito porque é influenciado por um maior, é uma ilusão. Nunca fiz um estudo que possa nos mostrar o motivo de tanta reincidência no Ciaadi, mas é preciso levantar essa questão. Esses meninos estão fazendo isso por que estão sem oportunidade ou por que as penas são brandas? Eu entendo que é porque eles acreditam na impunidade'', finalizou.

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