Adolescentes trocam internet por amizade
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terça-feira, 31 de janeiro de 2006
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Como reunir 26 adolescentes em um lugar sem TV, internet e celular? E mais, com todos eles tendo que se revezar nas tarefas domésticas durante quase um mês? Impossível? Não para o pessoal que participa do acampamento de verão promovido em Londrina pela base local da organização Children's Internacional Summer Villages (Cisv), que, numa tradução livre poderia ficar assim: grupo que oferece a oportunidade rara para se cultivar amizades nas férias de verão.
À primeira vista, tudo parece ser uma ''zoeira'' só na chácara-acampamento que fica numa área rural da Zona Leste de Londrina. Colchões espalhados pelo chão, meninos e meninas com roupas surradas, pés descalços, música o tempo todo. O lugar onde o encontro acontece também é um convite à diversão: piscina, campo de futebol, rede de vôlei, muito verde e uma bela vista da cidade. Mas tudo é feito justamente para tornar o ambiente o mais agradável possível para que o principal aconteça: que os participantes se conheçam, aprendam a conviver com as diferenças individuais e culturais e desenvolvam o espírito de liderança.
Mas isso tudo funciona? O monitor Bruno, adolescente de 16 anos como os demais 25 participantes do acampamento, garante que sim: ''É muito legal. A gente aprende um monte de coisa porque está num meio diferente, com pessoas diferentes''. Veterano nos acampamentos promovidos pelo Cisv, Bruno já viajou para a Grécia e Suécia em busca de novos amigos. ''Aparentemente, parece que aumentam as dificuldades, mas tudo acontece na base da amizade. Você fica amigo até de quem não consegue entender a língua'', atesta o londrinense.
A opinião é compartilhada pela adolescente de Belo Horizonte, Daila, que já foi para a Suécia e Finlândia. Ela diz que conviver com as pessoas foi fácil. O difícil mesmo foi se adaptar a alguns hábitos dos finlandeses: ''Tinha uma sopa de salmão que eu não conseguia sentir nem o cheiro'', lembra. Já o colega Rafael, também da capital mineira e que também já viajou para outros países, destaca que a diferença entre os encontros internacionais e no Brasil é que aqui, ao contrário de lá fora, há mais facilidade em se fazer amizades porque a curiosidade cultural é menor.
Outro veterano dos Summers é o londrinense Mateus, que todo mundo conhece como Miojo. ''É um descarrego. A gente passa o ano inteiro estudando, cheio de coisas para fazer e quando chega no acampamento você se liberta'', explica o garoto, que convenceu o amigo Eduardo a participar pela primeira vez. ''É muito melhor do que eu esperava. Estou conseguindo me soltar muito mais fácil com um grupo que não conhecia'', revela.
Aproveitando a fala do amigo, Miojo completa que ''o legal do Summer é que se aprende coisas que podem ser praticadas fora do acampamento''. Como, por exemplo, conceitos sobre liberdade, tema do acampamento realizado em Londrina. ''Liberdade nunca vai ser 100% porque a gente sempre vai ter limites a respeitar'', ensina Eduardo.


