Adolescentes precisam de cuidados
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sexta-feira, 27 de abril de 2001
Betânia Rodrigues De Londrina 
Mais da metade das mortes dos adolescentes (12 a 19 anos) no País têm como causa a violência (suicídio, homicídio e acidentes automobilísticos). Atualmente, o Brasil tem 40 milhões de pessoas nessa faixa etária que vem chamando a atenção da medicina nos últimos 20 anos. A hebeatria é a especialidade que trata dos adolescentes e surgiu nos Estados Unidos e Inglaterra há cerca de 40 anos.
Londrina, sedia desde ontem a 3ª Jornada Norte-Paranaense de Adolescência na sede da Associação Médica. Na abertura do evento, o pediatra e hebeatra Walter Marcondes Filho foi empossado presidente da Associação Brasileira de Adolescência (ABRAS) pelos próximos dois anos. Fixado em Londrina há mais de 20 anos, Marcondes afirma que a importância de cuidar do adolescente é a prevenção de problemas criados pelo consumo de drogas e violência. Essa categoria já ganhou uma disciplina específica nos currículos de medicina das Universidades Estadual e Federal do Rio de Janeiro, a Santa Casa e a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A Universidade Estadual de Londrina (UEL) oferece apenas algumas aulas sobre o assunto.
De acordo com o especialista, a adolescência é uma fase de luto devido à perda da infância, do corpo de criança, da bissexualidade e dos pais daquela fase. Os principais sintomas são o isolamento, a irritabilidade, agressividade, deficiência no rendimento escolar e busca de amigos fora da família. Isso é resultado da grande ansiedade que ele tem por uma identidade e aceitação social. Quando o comportamento do adolescente gera problemas como, por exemplo, risco de vida para si e para outros é sinal de que ele e a família precisam de orientação, explicou.
Para o médico, a contestação e o choque de gerações é uma característica comum a essa fase. Segundo ele, o segredo de um adolescente normal está na infância bem estruturada (psíquica, econômica e socialmente). Em todas as idades é preciso haver limites. Se a criança for educada sem essa consciência poderá se transformar numa pessoa problemática para a sociedade, advertiu.
A jornada termina hoje com palestras sobre O esporte e a juventude, O adolescente, o esporte e os anabolizantes e a visão psicanalítica sobre ele. Mais informações sobre o evento podem ser obtidas através do telefone (43) 341-1055.


