Os alunos do Colégio Estadual Ana Molina Garcia, localizado na Zona Leste de Londrina, que estão envolvidos nos casos de vandalismo registrados recentemente na instituição de ensino, poderão ser transferidos compulsoriamente da escola se voltarem a cometer atos de indisciplina. A decisão foi comunicada aos jovens e familiares em reunião realizada na noite de anteontem com a promotora da Vara da infância e Juventude, Édina Maria Silva de Paula.
Treze jovens foram convocados a comparecer na companhia dos pais. Também participaram do encontro representantes da Patrulha Escolar, Núcleo Regional de Educação e da direção da instituição de ensino. Os jovens têm de 14 a 17 anos e, de acordo com a diretora Aracele Fávaro Mota Palma, participaram de ações como ameaças a professores, mau comportamento em sala de aula e o lançamento de bombas contra o prédio no início do mês.
Segundo a promotora, a medida não vai contra o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). ''Sem ferir a lei que garante o direito à educação, vamos solicitar a transferência compulsória. A escola tem de voltar a ser um espaço de socialização, respeito e solidariedade'', declarou Édina. Ela ressaltou, porém, que a solução depende do envolvimento direto e deve partir da comunidade escolar, família e comunidade.
A chefe do NRE, Geni de Loudes Perineto, disse que deve acionar a promotoria da Vara da Infância e Juventude se os adolescentes voltarem a apresentar problemas. Durante a reunião, a reportagem flagrou atos de indisciplina, como alunos xingando professores e deixando a sala de aula sem permissão.
Aracele comentou ainda que o aluno que agrediu uma professora com uma barra de ferro não está mais frequentando as aulas, mas não foi oficialmente expulso da instituição de ensino. O jovem tem 19 anos e, segundo a diretora, o próprio pai dele disse que vai transferi-lo para outra escola. A professora está afastada, mas já manifestou o desejo de não voltar a lecionar no Ana Molina Garcia. De acordo com o Núcleo, pelo menos mais uma profissional disse que pretende deixar a escola.
Segundo Geni, o aluno que agrediu a professora ainda não voltou para a escola. Mas ela garante que ele não voltará a frequentar a instituição. A transferência será consensual, uma vez que a família dele concorda com a medida. Já a professora, segundo Geni, ''só volta a lecionar na escola se quiser.'' O NRE deve intensificar as ações de combate à violência na institução.
Pai de um aluno de 17 anos, o pedreiro Gastão Gomes de Almeida, 58, disse que vai tentar conversar com o filho. ''A promotora garantiu que quem não obedecer será transferido'', comentou. Almeida disse ainda que o jovem foi criado pela mãe, que morreu recentemente, e mora com ele há apenas dois meses.
Na noite de anteontem, dois adolescentes foram apreendidos depois de quebrarem o vidro de uma viatura que atendia um chamado numa escola no Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte). Os jovens foram reconhecidos por testemunhas e encaminhados para a delegacia.

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